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mar 23 2013

Aécio não anda de jegue nem come bode

RENATO RIELLA

Aécio Neves disse a um importante político mineiro, seu confidente, que não tem o menor saco para sair por aí, de buraco em buraco, comendo carne de bode, numa campanha eleitoral difícil de ganhar.

Todo mundo sabe disso, mesmo sem ouvir nenhuma palavra da boca deste neto de Tancredo Neves. Mas o PSDB vai acabar lançando Aécio Neves como candidato na disputa com a presidente Dilma Rousseff.

É claro que as chances são mínimas, mas eleição é destino. Aécio é testemunha do drama de Tancredo, que foi eleito em 1985 e ficou mortalmente afetado na véspera da posse, morrendo sem virar presidente (Sarney, o vice, ganhou cinco anos de mandato). Foi puro destino. Portanto, tudo pode acontecer.

O mais provável, porém, é que Aécio seja mesmo obrigado a concorrer para que sobreviva algum nível de oposição no Brasil.

 

RORIZ PENSOU ASSIM

NA ELEIÇÃO DE 2010

Nunca podemos esquecer o que aconteceu em Brasília na última eleição. Lembrem-se que Joaquim Roriz, tendo renunciado ao mandato no Senado, estava inelegível pela Lei da Ficha Lima. Pensou, pensou e convenceu a mulher, Weslian Roriz, a ser candidata a governadora. Logo ela, que nunca falou em palanque, nunca participou de debate eleitoral, nem nunca havia sido candidata a nada.

Os amadores pensaram que Roriz estava louco. Outros disseram que ele foi muito mau ao provocar tamanho sacrifício na companheira de décadas.

Profissionais sabiam que a decisão era correta. Além disso, de forma surpreendente, Weslian assustou o petista Agnelo Queiroz, ao conseguir disputar o segundo turno com ele. Com mais um empurrãozinho, podia ter ganho a eleição.

É preciso que todos saibam a verdade. Roriz lançou Weslian para poder manter em Brasília a chama da oposição. Sem ela, Agnelo e o PT reinariam sozinhos durantes esses quatro anos.

O mesmo vale para Aécio. Se não disputar a eleição para presidente, o grupo oposicionista pode minguar de forma expressiva, sem eleger governadores, senadores e deputados num nível mínimo necessário.

Esta análise se torna necessária para entender o momento atual. O PSDB não tem outro nome disponível. Ele precisa de Geraldo Alckmin para que o PT não ganhe a eleição em São Paulo. Além disso, o partido já não confia em José Serra, que acumulou elevado índice de rejeição em São Paulo.

Aécio, situado estrategicamente numa eleição, pode dar a sorte de ser eleito, mesmo sabendo-se hoje que as chances são muito mínimas. Mas ninguém espere que ele anda de jegue nem coma carne de bode, nem beije criancinha com catarro escorrendo. Isso não! Nunca! Além do mais, o Rio de Janeiro continua lindo! 

Quanto a Roriz, será que lança Weslian de novo? 

 

 

 

 

 

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