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out 26 2018

ARTIGO: Bolsonaro X Haddad

ALMIR PAZZIANOTTO PINTO

Creio que quando este artigo for publicado o resultado da eleição presidencial, embora ainda desconhecido, estará determinado.

É impossível que possa ocorrer, nas próximas horas, algo tão impactante, capaz de reverter a tendência em favor de Jair Bolsonaro.

O corrupto movimento lulopetista, engrossado pela presença do PCdoB – partido que tem a violência e o terrorismo no registro de nascimento – estimulou o sentimento democrático na maioria da população, mobilizada, como nunca antes foi visto, em defesa do Estado Democrático de direito corporificado na Constituição de 1988.

Jair Bolsonaro não é o presidente da República dos nossos sonhos. De formação tosca, sente dificuldade para exprimir, com palavras diplomáticas e adequadas, o pensamento político.

Lançado e apoiado por partidos pequenos, não reuniu, em torno de si, políticos de expressão. Seu estado-maior (para fazer uso de expressão militar) é constituído por representantes do baixo clero, generais e coronéis da reserva.

Os filhos, sem desmerecê-los porque não os conheço, não dominam a arte da persuasão, essencial a quem pretende fazer carreira no Poder Legislativo.

O primeiro turno revelou que o povo rejeita velhas e falsas lideranças. Omitirei nomes, mas a voz das urnas foi definitiva e categórica.

Não posso, todavia, deixar de me referir a Lula, o ambicioso sindicalista que revolucionou o mundo do trabalho na década de 1970, cuja excessiva ambição se revelaria ao assumir a suprema magistratura da Nação.

“Quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem”. A frase do Padre Vieira descreve a trajetória do antigo metalúrgico.

Não lhe bastou ser presidente. Aspirou ser imperador e fundar a dinastia do PT. Terminou condenado por prática de crime comum pelo juiz Sérgio Moro.

A Jair Bolsonaro, se vier ser consagrado nas urnas, peço permissão para recordar a frase de Rui Barbosa: “No plano do nosso regime, o (Poder) Executivo é um braço da Constituição, limitado em sua eficiência ao raio que lhe descreve”.

Como fazia o presidente Eurico Gaspar Dutra, governe com a Constituição sobre a mesa de despachos.

Se não a leu, procure lê-la para entender o sistema de freios e contra pesos que permitem aos Poderes da União atuar de maneira harmônica e independente (art. 2º).

Ao tomar posse, perante o Congresso Nacional, assuma o compromisso de mantê-la, defendê-la e cumpri-la, observar as leis e “promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, não como mera formalidade, mas disposto a empregar todas as energias para não falhar ao juramento.

Se for eleito, como se espera, prepare-se, com os ministros de Estado para enfrentar a mais difícil e sórdida das oposições.

Não imagine que receberá do PT, do PCdoB, do PDT, do PSTU, do PCB, comportamento caracterizado pela ética. Serão adversários ferozes como o foram durante o governo do presidente José Sarney.

Recorde-se da greve deflagrada pelo PT e pela CUT na Petrobrás, em 1995, quando era presidente Fernando Henrique Cardoso.

A capa de revista IstoÉ, de 23/5/1995 diz: “A CUT de Vicentinho provoca o caos e tenta dobrar o governo – Querem parar o País”. O titulo da matéria (fls. 20/26) diz: “A lei dos dinossauros. Faltam gás e combustível. Sobram grevistas da CUT e pedras contra Fernando Henrique”.

As chances de o Brasil cicatrizar as feridas, retomar o crescimento, gerar empregos, em minha livre opinião residem na eleição de Jair Bolsonaro, remédio amargo, mas o único disponível na farmacopeia nativa.

“Nada há mais relapso do que a memória” escreveu Nelson Rodrigues.

É impossível imaginar, entretanto, que o povo tenha se esquecido do impeachment de Fernando Collor e de Dilma Roussef, dos escândalos da Caixa Econômica Federal, do mensalão e do lava jato, das condenações de petebistas e petistas de alto escalão, dos registros sindicais fraudados, da coragem do ministro Joaquim Barbosa, da independência do juiz Sérgio Moro.

Se tomar alguém como modelo, escolha Tancredo Neves, e adote como lema a frase proferida no discurso redigido para a solenidade de posse do Ministério, lido pelo vice-presidente José Sarney: “É proibido gastar”.

Não se esqueça do que ensinou o saudoso político mineiro: “A hipertrofia centralizadora da União, fruto do sonho ditatorial e totalitário do passado recente, não é apenas abuso contra a liberdade e o direito. É, sobretudo, uma tolice do ponto de vista prático”.

A sorte está lançada. As cartas estão na mesa. Domingo à noite saberemos se o Brasil tem alguma chance, ou se mergulhará no obscurantismo de esquerda radical e cega, cuja ambição de poder é ilimitada.

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