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nov 28 2016

ARTIGO: O LEGADO SNOWDEN

ROSANA TONETTI

Herói ou Traidor é, para se dizer o mínimo,  perturbador. A obra cinematográfica de Oliver Stone, baseada em livro, revela os eventos da vida do ex-contratado da Agência de Segurança Nacional (NSA), dos EUA, Edward Snowden (interpretado magistralmente por Joseph Gordon-Levitt), que tornou público, vazando milhares de documentos e detalhes, o esquema ultrassecreto de cibervigilância em massa dos EUA.

Até os menos paranoicos devem ter deixado a sala de projeção com alguns pontos de interrogação martelando a pergunta que não quer calar: qual o grau de privacidade que cada internauta tem quando navega pelo sistema global de redes de computadores interligados?

Há quem, tranquilão, chacoalhe os ombros e dispare: quem sou eu, reles, pobre e mortal, para ter alguma importância para os serviços secretos de inteligência? Bem, não sei como reagiu ou reagiria você, mas eu saí do cinema encasquetada.

Ainda que cônscia da minha insignificante existência para a NSA, a primeira providência ao chegar em casa foi colocar uma fita adesiva na câmara do  computador pessoal. Igualzinho Snowden faz no filme assim que soube que, sob o pretexto de combater o terrorismo, os EUA estavam aproveitando também para dar uma espiadela na vida de cidadãos  americanos e estrangeiros. Até lideranças de países aliados, como Alemanha, França e Brasil não escaparam da bisbilhotice da NSA.

Para quem ainda  continua a desdenhar, considerando que os atos de espionagem têm  sempre um governo por trás, está na hora de sair da zona de conforto. Há muitos piratas independentes que ganham a vida praticando atividades criminosas na Internet. É desta forma que proliferam roubos de segredos comerciais, senhas e extorsões de toda sorte. E a próxima vítima pode ser eu ou você!

A violação virtual reflete, direta ou indiretamente, na vida de quase todos.  Há companhias que gastam, hoje, dez vezes mais para se proteger de ataques cibernéticos do que dispendiam há três ou quatro anos. E dificilmente conseguem estar um passo à frente de quem as vigiam.

Segundo a empresa de segurança informática Symantec, os cartões de crédito são o produto mais procurado no submundo do tráfico de informação. Entre 2005 e 2007, eles foram o principal alvo do hacker cubano Albert Gonzalez, que conseguiu roubar os dados de mais de 45 milhões de números de cartões de crédito e débito acumulados pela loja de departamento TJ Maxx & Marshalls. Durante a sua carreira, que durou até a captura pela polícia em 2008, o criminoso conseguiu acumular informações confidenciais de mais de 170 milhões de pessoas.

Foi de um quarto de hotel, em Hong Kong, que saíram as denúncias de como os EUA e outras potências violam os princípios fundamentais da democracia  e do direito. Se naquele momento Snowden estava sendo patriota ou traidor, cabe à história julgá-lo – ou, talvez, não. O que, realmente, o motivou a ser apontado dentro de seu país como o ex-agente dedo-duro? Só o âmago de Snowden para responder.

O fato é que ele conseguiu abalar as relações fundamentais de diplomacia e a maneira como as pessoas enxergam seus governos. Da escala global para o microterritório digital que cada ser navega nas águas turvas da Internet, dá para ficar, no mínimo, com o mouse atrás da orelha. Em tempo: Snowden – Herói ou Traidor, eu recomendo.

Rosana Tonetti, jornalista brasileira, reside, atualmente, em São Paulo (Do Site Portugal Digital)

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