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jun 18 2013

Chico cantava: “Vai passar”. Hoje só podemos cantar: “Vai piorar”

 RENATO RIELLA

 Vai piorar. Não há motivo para melhorar.

As manifestações crescentes que ocupam todo o Brasil e mesmo cidades do exterior estão apenas começando, pois não ofereceram ainda nenhum resultado.

Há meses (anos) venho alertando neste BLOG que a coisa vai estourar.

Tenho 64 anos, mas penso longe e acompanho as redes sociais, principalmente o Facebook, onde esta revolução está presente há muito tempo. E não tem nada a ver com a economia, que vai até muito bem, se comparada com a política. Esta é a nossa podridão.

Faixas as mais diferentes da sociedade, de todas as idades, há muito tempo reclamam da eleição de Renan Calheiros para a presidência do Congresso. Um abuso!

Protestam contra a impunidade geral e reclamam a prisão dos mensaleiros. Se isso demorar muito, manifestantes vão invadir o Supremo Tribunal Federal e queimar quem estiver lá dentro. Você hoje duvida disso?

Ninguém esquece que o ministro Gilmar Mendes deu habeas corpus para o “banqueiro” Daniel Dantas na madrugada do STF. E não foi questionado por isso.

A revolução popular vinha presente na revolta contra o pastor nazista que assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. E contra José Genoíno, João Paulo e outros condenados que estão mandando no Congresso.

No Facebook, tem sido cobrada mil vezes explicação para os preços superfaturados dos estádios. E para a presença nojenta e desonesta da Fifa. E ninguém tentou explicar nada a nós.

Essas coisas não têm a ver com economia, nem com preços. Quando a população reclama dos ônibus, na verdade exprime a revolta contra empresários sem escrúpulo.

No Facebook, vi duas vezes fotos de ônibus em Brasília na qual pessoas pobres usavam guarda-chuvas dentro do transporte coletivo, protegendo-se de goteiras.

No Facebook, de vez em quando, aparece foto de ônibus quebrado. Esta semana surgiu uma dramática. Um ônibus parou de rodar no meio da Avenida Estrutural, no DF. Dezenas de pessoas apareciam no escuro, em pé no meio da pista, esperando carona num disco-voador. Coitados!

Até na brincadeira o Facebook exprime o drama da população. Fez grande sucesso a foto de uma fila de pacientes impacientes, na Bahia, onde a população marcava o lugar com sandálias havaianas. Parecia engraçado, mas escondia o drama do péssimo atendimento nas unidades de saúde.

A insegurança nas cidades é outro fator de revolta. Surgem histórias horrorosas, sem que o Estado se pronuncie, nem prometa nada.

As votações no Congresso Nacional são sempre horríveis e suspeitas. E nunca podemos fazer nada, pois a população da Bolsa Família vota em qualquer um e elege sempre os piores.

E os partidos? Estes são o que existe de pior no Brasil. As pessoas  decentes não têm futuro nessas siglas dominadas por mafiosos. Não há como um artista, um jornalista, um professor, um religioso ou qualquer pessoa normal começar uma carreira política, pois as legendas partidárias têm dono, que cobram caro por isso.

Muitas outras questões aparecem nos protestos, entre os quais a revolta contra uma Copa do Mundo que marginalizou os mais pobres e come o dinheiro dos ricos.

Este passa a ser o fator mais crítico, pois corre muito o risco de que, nas próximas horas, a Fifa estude outra opção mundial para realizar a Copa de 2014. Já pensaram se isso acontecer? Ficaremos com 12 estádios inúteis, mas quem sabe ainda será um lucro?

Dito tudo isso e muito mais, só podemos acreditar que vai piorar. Hoje a massa revoltada não tem líderes definidos nem tem com quem negociar.

E não há uma pauta definida. O que existe é somente uma imensa raiva e uma vontade de destruir o que nos foi imposto por um regime insensível à voz da população pensante.

De onde surgirá um poder mediador? Só se chamar a ONU.

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