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mar 26 2021

CNC estima que o comércio deve ter a pior Páscoa desde 2008

Segundo a CNC, os impactos da pandemia na renda da população, a redução de importados e o fechamento do comércio às vésperas do feriado explicam a baixa expectativa.

“Esse é um segmento que, historicamente, depende de um consumo presencial. Ainda há uma grande dificuldade de adaptação das vendas on-line para a compra de itens como chocolate, ovos de Páscoa e produtos de supermercado, apesar de todos os avanços já feitos pelas empresas”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

A entidade destaca que, de acordo com dados do Banco Central, 28,4% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento de dívidas – o maior patamar da série, iniciada em 2005. “É o que chamamos de tempestade perfeita”, afirma Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo.

A CNC observa ainda que a Semana Santa de 2021 deverá ocorrer antes do início do pagamento da nova rodada do Auxílio Emergencial, programa assistencial que “permitiu ‘desafogar’, ainda que parcialmente, o orçamento das famílias ao longo do ano passado”.

Já a desvalorização cambial de 23% nos últimos 12 meses encareceu a importação de produtos típicos, o que também inibe o consumo em 2021.

Segundo a CNC, a quantidade de chocolates importada este ano (2,9 mil toneladas), por exemplo, foi a menor desde 2013 (2,65 mil toneladas). Já a importação de bacalhau (2,26 mil toneladas) foi a mais baixa desde a Páscoa de 2009 (1,43 mil toneladas).

“A tendência é de que esses produtos fiquem mais caros neste ano, destacando-se as altas esperadas no azeite de oliva (18%), bebidas alcóolicas em geral (10,6%) e chocolates (7%)”, observou.

Na avaliação da consultoria Kantar, diante das incertezas relacionadas à pandemia, o desempenho das vendas de Páscoa deve ser semelhante ao observado no ano passado. “Em 2020, quando as medidas de distanciamento social começavam a vigorar, a queda na penetração de itens de Páscoa foi de 16 pontos percentuais em relação a 2019, representando aproximadamente 9 milhões de domicílios que abandonaram o evento”, destacou a empresa em estudo divulgado na semana passada.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Balas e Derivados (Abicab), em 2020 foram produzidas 8,5 mil toneladas de chocolates para o período de Páscoa, uma queda de 15% na comparação com os 10 milhões da Páscoa de 2019.

A Abicab não divulgou uma projeção para 2021, mas o número de lançamentos dos grandes fabricantes para a Páscoa, por exemplo, caiu de 132 em 2020 para 95 neste ano.

Com informações de G1

Foto: Dinherama

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