RENATO RIELLA
Ainda dá tempo! Exército, Marinha e Aeronáutica precisam decidir logo, nas próximas horas, a transferência do desfile de 7 de Setembro da Esplanada dos Ministérios para a área interna do Setor Militar Urbano.
Se mantiverem o programa original, as Forças Armadas podem pagar um preço alto pela falta de resposta dos Poderes às reivindicações do povo. E, no entanto, os militares estão fora do comando civil há quase 30 anos, não tendo mais responsabilidade em relação à bagunça que domina o país.
Não vai dar para segurar uma massa prevista de 50 mil pessoas marchando pela Esplanada ao lado de homens fardados e armados, numa competição com tanques e cavalos. Há até comitivas vindas de outras cidades para os protestos.
Mesmo que os manifestantes sejam revistados, nada impede a gesticulação de revolta e os gritos de protesto, que não serão contra as Forças Armadas, mas contra a corrupção, a impunidade, a crise do transporte, da saúde, da educação e contra provocações como a “absolvição” do ainda deputado Satan Danadão.
A solução é separar as coisas. Exército, Marinha e Aeronáutica podem fazer um desfile básico no Setor Militar Urbano, onde é possível controlar o acesso de pessoas. E a Esplanada pode ficar livre para passeatas de grupos diversos, que hoje mobilizam pela internet cerca de 50 mil pessoas.
Se permanecer o esquema tradicional, poderá haver conflitos graves. No entanto, o mais grave será o choque de interesses entre as Forças Armadas e o povo.
Para o governo é cômodo, pois militares e manifestantes estarão pela primeira vez em contraposição. Mas o Brasil não merece esse tipo de confronto.
MUITAS PROGRAMAÇÕES
NO CENTRO DE BRASÍLIA
Segundo informação da Agência Brasil, os eventos programados para o 7 de Setembro, em Brasília, deverão reunir cerca de 150 mil pessoas em um raio de 5 quilômetros (km) na área central da cidade, onde fica a Esplanada dos Ministérios. Pela manhã, estão sendo organizadas por meio das redes sociais diversas manifestações, com concentrações marcadas principalmente para ocorrer na praça do Museu Nacional da República, na Esplanada, próximo à Catedral.
A expectativa é que entre 40 mil e 50 mil pessoas compareçam, aumentando o fluxo de pessoas que assistirão ao desfile – previsto para começar às 9h10, na Esplanada, em frente ao Palácio do Planalto; e terminar às 10h, próximo ao Teatro Nacional e a Rodoviária do Plano Piloto.
A Secretaria de Segurança do DF deslocará um contingente de 4 mil policiais militares (PMs), 320 bombeiros, 150 policiais civis e 110 agentes do Departamento de Trânsito (Detran) para atender ao fluxo de pessoas, atuando no desfile cívico, que terá a presença da presidenta Dilma Rousseff e de outras autoridades.
Para completar, às 16h, a Seleção Brasileira de Futebol joga um amistoso contra a Austrália no Estádio Mané Garrincha. A estimativa é que 68 mil torcedores compareçam. Na área do estádio, haverá um adicional de aproximadamente 2 mil policiais militares. No interior do Mané Garrincha, ainda haverá a atuação de seguranças privados e de uma delegacia da Polícia Civil.
Além do desfile, do jogo e das manifestações, estão agendados para a área central da cidade um festival cultural na praça do Museu da República, o Celebra Brasília, a partir das 18h30; e o Congresso Nacional dos Médicos, no Centro de Convenções. No festival, são esperadas 15 mil pessoas, no congresso, 4 mil.
Em relação ao trânsito, as vias N1 e S1 estarão fechadas a partir das 5h devido ao desfile na Esplanada. Nessa área, as vias serão abertas após o término do evento. Próximo ao estádio, as ruas só abrirão com o término do jogo e o deslocamento dos torcedores, por volta das 19h30. Para circular pelo local, serão reforçadas as linhas de ônibus circular no trajeto da Rodoviária do Plano Piloto à rodoferroviária (até as 12h30) e da rodoviária à Funarte, próximo ao estádio (das 13h às 20h). O metrô estará funcionará das 7h às 20h. No Parque da Cidade e no Centro de Convenções haverá também reforço nos pontos de táxi.