RENATO RIELLA
Estamos dominados mais uma vez por um assunto que não entendemos: a espionagem americana sobre o Brasil e até sobre a presidente Dilma.
Para o governo brasileiro, nesse momento de crise, às vésperas de um 7 de setembro conturbado, é ótimo poder dizer que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mandou espionar a “presidenta” do Brasil. Além do mais, seria grande indelicadeza com uma mulher.
Este assunto e aquele outro, do senador boliviano “sequestrado” e trazido para Brasília, ajudam o governo a fugir de temas complicados. São verdadeiras cortinas de fumaça.
Dilma foi espionada? Nesse caso, vale as célebres perguntas do jornalismo:
Onde? Como? Quando? Por quem? Por que?
Presume-se que os grandes segredos a presidente Dilma não exponha em e-mails, nem em fax, nem no telefone, pior ainda no Facebook. O muito antigo Tancredo Neves já ensinava que não devemos confiar em nenhum meio eletrônico (“Só para recados”)
Sabemos que toda ligação internacional está factível de espionagem, pois não somos detentores de grandes sistemas de comunicação, nem de satélites.
Assim, se Dilma deixou vazar segredos estratégicos, não foi por falta de aviso. Que aprenda a lição. E vamos cuidar das estradas e dos portos, pois precisamos exportar mais e mais.
(Em tempo: se houvesse espionagem de verdade, Eike Batista não teria enganado tanta gente, durante tanto tempo)