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fev 26 2015

É HORA DE POUPAR ÁGUA… MAS SÓ FECHAR A TORNEIRA NÃO BASTA

 RICARDO GRANJA

O Brasil acordou – muito tardiamente – para a questão da falta d’água. A preocupação começou a se intensificar em São Paulo, com o rápido esvaziamento de importantes reservatórios, e em poucos meses já se estendeu para os outros estados do Sudeste, que também se encontraram frágeis e despreparados para enfrentar estações mais secas.

Outras regiões do país, momentaneamente, parecem estar em posição mais confortável, mas ninguém deve esperar para ver o pior acontecer.

A comoção precisa ser nacional. Chegamos ao limite e não há escapatória: será necessário mudarmos nossos hábitos, mesmo sabendo que o uso doméstico não é o maior “vilão” do desperdício e mau planejamento.

É verdade que o problema só será amenizado com ações firmes e transparentes do governo e das grandes corporações – porém, essa constatação não altera o fato de que nós, brasileiros, somos um dos povos que mais gastam água no mundo.

Após inúmeros alertas, a população começou a incorporar diversos hábitos visando evitar o desperdício. Seja com banhos mais curtos, reutilizando água da chuva para lavar o carro ou substituindo a descarga por baldes, a mobilização é grande. Mas será que a nossa capacidade de colaboração se limita a essas pequenas atitudes?

Na verdade, por maior que seja o nosso esforço pessoal, o consumo pode continuar excessivo caso não tenhamos cuidado na escolha e manutenção dos equipamentos da casa.

Isso pode ocorrer em qualquer ambiente, como cozinha, banheiro e área de serviço. Pouco adianta, por exemplo, fecharmos as torneiras ao ensaboar utensílios se ela estiver com vazamento e escoar água por longos períodos de tempo – e o mesmo se aplica aos canos.

Para evitar tais problemas, vistorias regulares são importantes, mas podemos também instalar acessórios indicados para diminuir o volume que gastamos.

Simples peças podem gerar grande economia. Uma delas é o redutor de vazão, um pequeno anel controlador do nível hídrico, de fácil instalação e acessível no mercado, que reduz em média 50% do consumo das torneiras.

Outra dica é a inserção de pias e chuveiros de baixo fluxo. Além de oferecer vantagens, como preços baratos e rápida montagem, a pressão fica inalterada, diminuindo os gastos.

Os vasos sanitários, da mesma forma, podem ser adquiridos em modelos de fluxo duplo, ou seja, que permitem a descarga com menos água para líquidos, e mais para sólidos, poupando o seu uso total.

Os tempos são outros. Não podemos mais esbanjar, exagerar e ignorar o problema da água. Estamos percebendo, da pior maneira, que ela é, sim, finita.

Enquanto as autoridades responsáveis se mexem para controlar a crise, a população sente na pele os gastos excessivos de tantas décadas. Só nos resta fazer nossa parte e aprender com nossos erros.

Ricardo Granja é Diretor Geral da GTRES Metais Sanitários

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1 comentário

  1. MAURICIO ALVES DIAS

    FATO GRAVE

    Muito oportuno o tema sobre a água, abordado pelo artigo acima. É muito grave, na minha opinião, os desmatamentos e ocupações das áreas de nascentes do DF – aumentou a olhos vistos as construções de casas em áreas de proteção ambiental. Na região dos INCRAs, circunscrição de Brazlândia, as edificações próximas as nascentes do Rio Descoberto, Pulador, Rodeador e Córrego das Pedras estão se tornando um absurdo, PARA NAO DIZER UM CRIME, contra as próximas gerações da região do DF e Entorno.

    A BARRAGEM DO DESCOBERTO só existe por causa desses córregos. Cabe chamar atenção, também, que a água que sobra vai para a Barragem da Corumbá IV, além de ser útil à população das cidades do Entorno próximo ao Rio Descoberto. Será que o exemplo recente da falta de água em São Paulo só acontece por lá? Por onde se anda na região se vê faixas anunciando venda de lote.

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