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mar 12 2013

É SÓ DESGASTE NA COPA DO MUNDO

RENATO RIELLA

Pagando para apanhar. Este é o slogan da Copa do Mundo brasileira. Bilhões e bilhões estão sendo gastos, mas praticamente só servem para gerar mídia negativa. Isso vale, inclusive, para a própria Seleção Brasileira, onde o principal astro, Neymar, está em rápida decadência.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, é chamado abertamente de ladrão pelo deputado Romário, que tem imunidade parlamentar e é agora presidente da Comissão de Esporte da Câmara Federal. E tudo vai assim, sob suspeita.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, garante que entrega o Maracanã pronto no dia 27 de abril. Mas hoje, na imprensa, vem a especulação de que já se cogita levar a Copa das Confederações para o segundo estádio, o Engenhão.

Estive na abertura do Pan-Americano do Rio, quando foi reinaugurado o Maracanã (foi na célebre vaia que o presidente Lula recebeu de uma platéia de cem mil pessoas). Todos os presentes viram o estádio recuperado; estava ótimo. Mas, surpreendentemente, foi demolido, para a construção deste outro, que não fica pronto nunca.

 

ESTÁDIO MAIS CARO

DO MUNDO EM BRASÍLIA

No DF, o governador Agnelo Queiroz tomou a decisão muito corajosa de fazer um novo Estádio Mané Garrincha (felizmente manteve o nome), com mais de 70 mil lugares. Poderia ter optado por 45 mil lugares. Havia proposta nesse sentido, mas decidiu pelo projeto mais amplo.

A princípio, se falava em custo de R$ 750 milhões. Hoje já se fala abertamente que o Mané vai custar R$ 1,5 bilhão, embora o GDF não confirme oficialmente o valor. Se realmente o montante chegar a este nível, provavelmente será o estádio mais caro do mundo.

Agnelo Queiroz já me disse diversas vezes que tem confiança na utilidade e sustentabilidade desse estádio enorme, embora localizado numa cidade que tem times pequenos, sem torcidas. Segundo o governador, há propostas internacionais para a exploração comercial do estádio, construído na forma de arena, para múltiplas finalidades.

O governador tem razão num ponto: chega de shows em estacionamentos. Ou mesmo em locais inconvenientes.

Na sexta-feira passada, tivemos exemplo disso, quando o célebre Elton John cantou no que se deverá chamar Centro Internacional de Convenções de Brasília. É um projeto ainda em construção, que foi adaptado para receber cerca de 10 mil pessoas.

Se o novo estádio já estivesse pronto, 30 a 40 mil brasilienses poderiam ter visto Elton John fazer um show maravilhoso, a preços variados (inclusive ingressos populares). Seria fantástico, até mesmo porque presume-se que a arena tenha condições acústicas melhores do que um centro de convenções.

 

PROJETO FRACASSADO EM

MATÉRIA DE MARKETING

De modo geral, a Copa do Mundo é um projeto fracassado em matéria de marketing governamental. Sem contar aquele chavão generalizado na população brasileira, diante de qualquer serviço deficiente: “Imagine como vai ser na Copa!”

 O governador Agnelo deslocou sua secretária de Comunicação, Samantha Sallum, para coordenar o setor na área de Copa do Mundo. Pode ser que ela, em esforço concentrado, consiga melhorar a imagem, pelo menos no que se refere ao Distrito Federal.

Em termos nacionais, vemos os aeroportos críticos, as vias de transporte destinadas à Copa sem as obras necessárias e estádios que multiplicaram seus valores.

A Fifa moderou suas críticas, mas demonstra notórias preocupações. Talvez não confie tanto no jeitinho brasileiro. Sabemos que na hora decisiva a alfândega vai fechar os olhos para a entrada de estrangeiros, as famílias vão abrir os braços para os turistas, entre outros improvisos. Mas até lá haverá muito desgaste.

Para completar, a CBF tem eleição em abril do ano passado, Imaginem quanta roupa suja não será lavada em praça pública. Tudo isso é um prato cheio para Romário, um deputado que faz oposição ao futebol oficial brasileiro.

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