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jul 10 2018

Em São Paulo, Malala Yousafazai promete investir na educação do Brasil

Malala discursa em evento em São Paulo nesta segunda-feira, 9 de julho (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil )

Malala Yousafazai, ganhadora mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz, disse ontem (9), em São Paulo, que vai investir na educação do Brasil. A ativista  paquistanesa não deu detalhes sobre a parceria, mas adiantou que será anunciada em breve. É a primeira vez que ela visita o país.

“A melhor forma de melhorar a educação em qualquer país é fazer parcerias com as ativistas locais. Vamos focar nas regiões que mais precisam, como o Nordeste do Brasil, mas também vamos apoiar outras campanhas. Queremos trabalhar junto com vocês. Estou aqui para aprender e usar o Fundo Malala da melhor maneira”, disse para a plateia formada por 800 convidados, em sua maioria estudantes e integrantes de ONGS ligadas ao banco Itaú, patrocinador do evento.

Hoje, a Fundação Malala apoia projetos que lutam pela igualdade de gênero na educação em países da África e da Ásia.

Ela, que completa 21 anos nesta quinta-feira (12), se tornou símbolo mundial da luta pelo direito das meninas à educação depois de sobreviver a um atentado cometido pelo Talibã. Quando ela tinha 15 anos, foi baleada na cabeça ao voltar da escola onde morava no Vale do Swat, no Paquistão. Na época, ela já defendia publicamente o direito das meninas irem para a escola.

Na palestra, Malala participou de um debate sobre educação, feminismo e política com a presença da presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Villela, da cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral, além da escritora Conceição Evaristo e de Dagmar Rivieri, fundadora e presidente da ONG Casa de Zezinho.

“Há desafios externos como os que existem na sociedade, discriminação, pobreza, extremismo, mas existem outros desafios, os internos porque subestimamos o poder da nossa voz. Esse é o primeiro desafio.”

Malala encorajou os estudantes a lutar por direitos e mudanças, principalmente durante o período eleitoral.

Quando perguntada se sente raiva ou desejo de se vingar das pessoas que a atacaram, ela diz é a melhor resposta é a educação. “Digo que a melhor maneira de me ‘vingar’ é pela educação, educar todas as crianças do mundo, inclusive filhos e filhas dos que me atacaram. E de alguma maneira estamos conseguindo isso.”

No dia 9 de outubro de 2012, Malala foi alvo de um ataque a tiros por membros do Talibã.  Os radicais do Talibã acreditavam que a educação das meninas era uma afronta ao islamismo e destruíram centenas de escolas.

Baleada na cabeça, Malala sobreviveu ao atentado, que chocou o Paquistão.Ela foi retirada do país com sua família e levada ao Reino Unido. Os médicos retiraram a bala de seu cérebro. Malala se recuperou, mas não retomou os movimentos do lado esquerdo do rosto e perdeu a audição do ouvido esquerdo.

Desde então mora na Inglaterra, onde retomou os estudos no ensino médio. Em 2017, cinco anos após o atentado, ela ingressou na Universidade de Oxford para estudar filosofia, política e economia.

Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

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