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jan 14 2020

Fim da dedução com domésticas no IR pode causar demissões

Os contribuintes não poderão mais deduzir gastos com empregados domésticos nas declarações de Imposto de Renda e especialistas afirmam que a mudança pode gerar demissões.

Até a declaração do ano passado, patrões podiam compensar no cálculo do imposto parte do que era recolhido ao INSS sobre o salários dos empregados. Em 2019, esse valor foi de R$ 1,2 mil e levou a uma renúncia fiscal de R$ 674 milhões por parte do governo.

Neste ano, sem a dedução, o Ministério da Economia espera elevar a arrecadação em R$ 700 milhões.

A norma foi criada em 2006 para incentivar a formalização dos empregados domésticos — e o fim do benefício significa um custo extra para manter essa categoria com registro profissional.

Segundo o Instituto Doméstica Legal, o Brasil tem atualmente 1,5 milhão de domésticas com carteira assinada e 1,4 milhão de empregadores. O presidente da entidade, Mario Avelino, disse que a medida tem o potencial de ocasionar a demissão de mais de 100 mil domésticas.

O benefício perdeu a validade depois que não foi renovado pelo Congresso Nacional. O Senado chegou a aprovar, em outubro, um projeto de lei prorrogando a norma até 2024 — mas o texto não chegou a ser votado na Câmara.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é defensor do fim das deduções no Imposto de Renda — argumentando que os descontos beneficiam apenas os mais ricos.

Caso as propostas avancem no Congresso, o abatimento das contribuições previdenciárias de empregados domésticos pode voltar, mas só em 2021.

O tributarista Gabriel Campos Lima, da Nelson Wilians & Advogados Associados, acredita que o governo vai trabalhar para por fim a outras deduções de Imposto de Renda.

“É algo que ainda não está fora de cogitação para o ano que vem, mas o governo provavelmente vai trabalhar para que isso não seja aprovado e seja esse o início de mudanças no IR — principalmente em relação aos descontos e as deduções da base fiscal.”

Com informaçoes de JP

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