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out 27 2013

FIZ GRANDE DESCOBERTA: OS BLACK BLOCS SÃO IRMÃOS DO AEDES AEGPTI

 RENATO RIELLA

O instituto DataFolha fez pesquisa na cidade de São Paulo (são mais de dez milhões) e detectou que 95% da população condena os Black Blocks. Se fizer a mesma pesquisa sobre o mosquito da dengue, o Aedes Aegpti, a condenação desse bichinho certamente será de 100%. Mas tanto os Blacks quanto os Aedes são irmãos, com a mesma origem: a ausência do Estado na sociedade.

Da mesma forma que não combate as causas da dengue, os governos usam a Polícia Militar como borrifadora de mosquitos, tentando impedir manifestações violentas nas ruas. A situação vai piorar muito nos próximos meses e vai morrer gente em ambos os lados.

No caso da PM, quase tivemos um mártir na sexta à noite, em São Paulo, na figura do coronel Reynaldo Rossi, com ferimentos diversos e múltiplas fraturas. Ele mesmo informou, em entrevista na TV, que há 70 policiais feridos nas últimas horas. Imaginem o troco que a PM dará agora nos “vândalos”!

Em junho, houve um policial militar gravemente ferido no Rio de Janeiro. Ele apareceu na TV sendo queimado depois de acertado por um coquetel molotov. Será que morreu e não foi informado?

Muitos jornalistas e muitos manifestantes também sofreram ferimentos graves, felizmente sem nenhuma morte aparente ainda.

 

OS PODERES DIVERSOS ESTÃO

PERPLEXOS E MEIO APAVORADOS

As inteligências instaladas no Poder (em todos os níveis) e nas grandes redações vivem encasteladas e não entendem o que está acontecendo. Tentam descobrir culpados, que “precisam ser presos e condenados”, mas nas delegacias de polícia, no Ministério Público e na Justiça, a acusação concreta é quase nenhuma. Alguns presos são logo liberados por advogados voluntários que acompanham as manifestações.

A verdade é que não há como prender nem condenar (nem matar) um estado de espírito.

A mesma pesquisa da Folha que parece repudiar os Black Blocs mostra que, na principal cidade da América Latina, mais de 500 mil pessoas bem esclarecidas têm coragem de ser a favor de máscaras na cara, palavras agressivas, coquetéis molotov, apedrejamento de agências bancárias, invasões de assembleias e até tentativa de morte contra um coronel fardado e armado.

Há uma imensa revolta instalada contra governos, parlamentares, partidos políticos, grandes corporações e, breve, também, os tribunais da impunidade generalizada.

Na semana passada, no site do jornal O Dia, uma pesquisa mostrou 13 mil pessoas a favor dos Black Blocs e apenas cinco mil contra. Na redação de O Globo, houve perplexidade quando o jornal publicou manchete denunciando a prisão de “70 vândalos”. O site de O Globo foi inundado de ameaças e muitas pessoas suspenderam assinaturas em protesto contra a manchete.

 

A PROVOCAÇÃO CONTRA O POVO

SE DÁ DE FORMA MUITO VARIADA

Sai de baixo que lá vem o Brasil!

Vem por aí, de forma descontrolada, um Brasil que cobra – por exemplo – a chamada integração de transportes, enrolada há 30 anos pelo lobby das empresas de ônibus.

Querem ver um imenso potencial de Black Blocs, a caminho da desordem no Rio de Janeiro? São eles os milhares de negões, barrigudos, tomadores de cerveja, que ocupavam a chamada “geral” do Maracanã e que nunca mais terão dinheiro para ver ao vivo um jogo do Flamengo, do Vasco, do Botafogo e até do Fluminense.

Bem informados por programas classe D da TV ou do rádio, esses negões desdentados sabem que a reforma do Maracanã custou R$ 1,5 bilhão. Ao final, quem explora o “templo do futebol mundial” é um cara chamado Eike Batista, que foi marido da Luma e dizem que deu um cano de R$ 20 bilhões nos brasileiros.

E sabem quem serão os candidatos a governador do Rio? O bispo Crivella, Garotinho, Lindbergh Lindinho e Pezão, candidato do Sérgio Cabral. Isso vai dar merda! Socorro!

Milhares de insatisfações estão levando Black Blocs para as ruas, a cada momento com maior violência, a caminho da guerrilha urbana.

Não tentem descobrir agentes causadores do mal, pois Black Bloc é igual a desabamento de encosta no Rio de Janeiro. Todo ano acontece e não aparece nunca o culpado.

Blackbloquear é um verbo tão impessoal quanto chover, que só deixará de ser conjugado quando os Poderes do Brasil conjugarem outro verbo mais poderoso: amar.

E vai piorar. Vai morrer gente.

O jornalismo brasileiro foi sequestrado por analistas econômicos, mas o nosso problema é político. Sangrentamente político.   

 

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