«

»

abr 26 2019

IBGE: em dois anos, cresce em 10,2 milhões o número de pessoas que trabalham sem remuneração

Imagem relacionada

Enquanto o mercado de trabalho no Brasil segue deteriorado, com queda do emprego formal e aumento expressivo da informalidade, cresce o número de pessoas dedicadas ao trabalho não remunerado no país, sobretudo aquele relacionado às atividades domésticas. É o que revela uma pesquisa divulgada hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O instituto investiga quatro formas de trabalho que, se fossem remuneradas, poderiam agregar valor ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. São elas: afazeres domésticos,cuidados de pessoas,produção para próprio consumo e trabalho voluntário.

Segundo a pesquisa, em 2018 148,8 milhões de brasileiros realizavam pelo menos um tipo de trabalho não remunerado, 10,2 milhões a mais que em 2016, quando esse número era de 138,6 milhões – um aumento de 7,35% no período.

Os afazeres domésticos constituem o trabalho não remunerado realizado pelo maior contingente de pessoas no país. Em 2018, 145,1 milhões de brasileiros realizam alguma atividade doméstica, seja no próprio domicílio ou na casa de parentes. Este número também aumentou em 10,2 milhões de pessoas em relação a 2016, quando este grupo somava 134,9 milhões – uma alta de 7,56% nestes dois anos.

A analista da Coordenadoria de Trabalho e Rendimento do IBGE (Coren) Marina Aguas enfatizou que uma mesma pessoa pode realizar mais de um dos trabalhos não remunerados simultaneamente.

Percentualmente, no entanto, foi a produção para o próprio consumo que mais aumentou no período. A alta foi de 25% em dois anos. De acordo com a pesquisa, 13 milhões de brasileiros produziam algo para consumo no lar em 2018, 2,6 milhões a mais que em 2016, quando este contingente era de 10,4 milhões.

Das 10,2 milhões de pessoas que desde 2016 também passaram a se dedicar a afazeres domésticos, 6,1 milhões são homens – a maioria deles jovens entre 14 e 29 anos, destacou a analista Marina Aguas.

O aumento maior entre os homens é natural, segundo a pesquisadora, pois é o grupo com espaço para crescer. Do total de mulheres com 14 anos ou mais, 92,2% faziam algum tipo de trabalho doméstico em 2018, enquanto o percentual de homens nesta condição chegou a 78,2% – em 2016, estes percentuais eram, respectivamente, de 89,8% e 71,9%.

A pesquisa, no entanto, indica que há uma tendência de reduzir a discrepância entre homens e mulheres nos cuidados com o lar. A diferença da taxa de realização de afazeres domésticos entre os dois sexos era de 17,9 pontos percentuais em 2016, caiu para 15,3 p.p. em 2017, chegando a 14 p.p em 2018.

O IBGE considera como afazeres domésticos: preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça, fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel ou eletrodomésticos, cuidar da organização do domicílio (pagar contas, contratar serviços, orientar empregados, etc.), cuidar da limpeza ou manutenção de roupas e sapatos, limpar ou arrumar o domicílio, a garagem, o quintal ou o jardim, fazer compras ou pesquisar preços de bens para o domicílio e cuidar de animais domésticos.

Dentre as mulheres que realizaram afazeres domésticos no ano passado, 95,5% preparam ou servem alimentos, além de arrumar a mesa ou lavar a louça, e 90,9% cuidam da manutenção de roupas e sapatos. Entre os homens, estes percentuais foram, respectivamente, de 60,8% e 54%.

Os homens só superaram as mulheres nas atividades relacionadas a pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do carro ou de eletrodomésticos – 59,2% dos homens que fizeram atividades domésticas disseram se dedicar a essas tarefas, contra 30,6% das mulheres.

Em relação à média de horas semanais que homens e mulheres dedicam aos afazeres domésticos, elas continuam dedicando quase o dobro do tempo que eles a essas atividades, incluindo os cuidados de pessoas. São 21,3 horas semanais no caso delas, e 10,9 horas no deles.

Também há diferença no tempo despendido a essas tarefas entre pessoas que trabalham e as que estão desempregadas. O homem desempregado dedica 1,7 horas semanais a mais que o empregado às atividades do lar. Já entre as mulheres essa diferença salta para 5,1 horas semanais a mais para as que estão fora do mercado de trabalho.

A pesquisa mostrou ainda que os homens que moram sozinhos têm um perfil muito parecido com o das mulheres na de tarefas domésticas – 92,7% dos homens que vivem sozinhos preparam alimentos ou lavam a louça, por exemplo, enquanto entre as mulheres nessa situação o percentual é de 97,1%. Já entre aqueles que são casados o percentual cai para 57,1%, enquanto o delas salta para 97,9%.

Em 2018, 7,2 milhões de pessoas se dedicavam a algum tipo de trabalho voluntário no país, 118 mil a menos que em 2017, mas 720 mil a mais que em 2016, o que representa um aumento de 11,1% em dois anos.

Do total de pessoas que se dedicavam ao voluntariado, 48,4% disseram realizá-lo quatro ou mais vezes por mês, enquanto 15,6% o fazia eventualmente ou sem frequência definida.

O tempo médio dedicado ao trabalho voluntário era de 6,5 horas semanais no ano passado. O IBGE destacou que quanto maior a escolaridade, maior a dedicação ao voluntariado no Brasil.

A pesquisa mostrou também que 79,9% das pessoas que fizeram algum trabalho voluntário em 2018 atuaram em congregação religiosa, sindicato, condomínio, partido político, escola, hospital ou asilo. Outros 13% o fizeram em associação de moradores ou esportiva, ONG, grupo de apoio ou outra organização civil.

Com informações do G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*