«

»

mar 29 2018

Intervenção: cadeia onde militares só encontraram um celular teve mais de cem apreendidos apenas este ano

Caminhão do Exército deixa o Complexo de Gericinó

Ontem (28) depois de ter considerado “positivo” o resultado da inspeção feita na terça-feira na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, Bangu 3, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, o secretário de Administração Penitenciária do Rio, David Anthony, admitiu  que houve falhas durante a operação.

A vistoria terminou com apenas um celular e dezenas de ventiladores apreendidos, apesar de ter contado com 340 homens — 220 militares do Exército e 120 agentes penitenciários. Não foi apreendida nenhuma droga na unidade. Bangu 3 abriga chefes da maior facção criminosa do Rio.

Em operações de rotina, com um contingente muito inferior do que o de anteontem, os agentes prisionais encontraram, de janeiro do ano passado até o último dia 28, 367 celulares e 32 chips, além de drogas na unidade. Somente este ano, 105 aparelhos de telefone foram apreendidos. Foram encontrados ainda 31 roteadores de internet nas celas do presídio durante as inspeções realizadas.

O principal erro reconhecido pelo secretário na ação de anteontem foi o longo tempo dado aos presos para recolherem seus pertences e saírem das celas, antes da entrada dos agentes. Os militares e agentes foram esvaziando cela por cela , esperando que cada detento limpasse a sua. Assim, os presos dos outros xadrezes que ainda não haviam sido vistoriados conseguiram se livrar dos seus materiais ilícitos, provavelmente atirando no vaso sanitário e em buracos abertos entre as galerias. Alguns presos tiveram até três horas para limpar a sua cela antes da vistoria.

Outro erro da operação apontado pelos inspetores foi o fato de, segundo eles, militares terem ficado no comando geral da ação.Os agentes afirmam ainda ter sido um equívoco deixar que a inspeção fosse feita no dia de visita na unidade, o que causou revolta nos presos e também nos visitantes.

— Entraram em Bangu 3 para fazer uma operação desse porte sob o comando de quem não tem a menor ideia de como funciona o sistema prisional, muito menos uma unidade como essas. Também foi um equívoco enorme terem escolhido o dia de visitas para isso. Causa enorme insatisfação nos presos e nas visitantes. Os ânimos ficam muito acirrados — opinou um agente sob a condição de anonimato.

Bangu 3 é a unidade mais tensa e perigosa do sistema prisional do Rio. É a única que não conta com cantinas com venda de produtos para os presos, por exemplo. Em 2015, agentes penitenciários encontraram munição de fuzil no presídio. A apreensão acendeu o alerta vermelho na unidade, mas nenhuma arma foi encontrada. Em junho do ano passado, o agente penitenciário Paulo Sérgio Araújo, de 56 anos, chefe de turma da unidade, foi morto na porta de sua casa, em Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio.

Foto: Fabiano Rocha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*