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fev 28 2018

Intervenção: general quer atacar corrupção na PM do Rio e auditar Secretaria de Segurança

interventor no rio

O interventor federal na segurança do Rio, general Walter Souza Braga Netto, quer apertar o cerco a oficiais da PM responsáveis por batalhões que têm casos identificados de corrupção policial ou altos índices de criminalidade. Tenentes-coronéis da PM poderão ser trocados se não entregarem resultados esperados. E haverá auditoria em diversos setores da segurança estadual, como logística, administração e finanças, planejamento e operações.

A equipe de Braga Netto se debruça sobre índices de criminalidade do Estado. Quer, com base nas “manchas criminais” – mapas que apresentam áreas com mais incidência de crimes -, cobrar resultados dos oficiais superiores dos batalhões. Os militares entendem que é preciso reforçar a hierarquia e a disciplina na PM. Segundo contou à reportagem um oficial do Exército, a mensagem é “não rezou a cartilha, será substituído”.

O chefe do gabinete de intervenção, general Mauro Sinott, disse que os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável pelas estatísticas oficiais e que têm como origem os registros da Polícia Civil, são auditados e confiáveis. Braga Netto chancelou: “Com relação à transparência, vocês não precisam se preocupar, porque o sistema será transparente. O instituto vai continuar e aprimorar seu trabalho, os resultados continuarão sendo divulgados”.

Outro foco será a recomposição do efetivo da PM, por meio do resgate de policiais que hoje estão cedidos a outros órgãos, e também da frota de veículos usada no patrulhamento, que está sucateada. Antes da intervenção, a Secretaria de Segurança tentava recompor o efetivo e os veículos, mas faltou dinheiro – o Rio decretou calamidade nas finanças em junho de 2016.

Questionado, Braga Netto disse não ter informações sobre os recursos para as ações. “No momento, temos o que está previsto no decreto: recursos de segurança pública já existentes no Estado, e Brasília nos dará um aporte. Mas eu ainda não tenho as informações de valores.”

Por enquanto, o interventor deixará apenas as Polícias Civil e Militar nas ações diretas de investigação e patrulhamento ostensivo em áreas de confronto. As Forças Armadas continuarão prestando apoio operacional em cercos e desobstruções de vias. É o que vem sendo feito desde 2017, quando foi iniciada mais uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio.

Os militares têm feito blitze em estradas e checagem de eventuais prontuários criminais de moradores em zonas de confronto, na busca por procurados pela Justiça. Nesta terça, 500 homens atuaram em duas favelas da zona oeste: Vila Aliança, em Bangu, e Coreia, em Senador Camará. Não houve abordagens nem confrontos, só a retirada de barreiras supostamente instaladas por bandidos para impedir o trânsito de agentes de segurança.

Durante a operação, foram usadas 15 máquinas de engenharia, como caminhões e tratores, e 60 viaturas das Forças Armadas, segundo o Comando Militar do Leste. Ninguém foi detido, mas a ação repercutiu entre moradores das duas comunidades, que postaram imagens e comentários nas redes sociais.

O interventor não planeja que os militares assumam a dianteira das operações, como ocorreu na época da ocupação do complexo de favelas da Maré. Mas a avaliação de oficiais próximos a Braga Netto é que ele seguirá as palavras do presidente Michel Temer, que disse que os militares devem “partir para o confronto se houver necessidade”. Assim, não está descartado que as tropas voltem a cumprir mandados de busca e apreensão, realizar capturas e patrulhamento.

Ontem, Braga Netto se reuniu com secretários de Segurança de São Paulo, Espírito Santo e Minas por mais de duas horas. Os Estados pediram celeridade e integração na área de inteligência para poder acionar os respectivos aparatos policiais nas divisas, quando necessário.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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