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jan 13 2020

João de Deus é acusado por estupros com a ajuda de guias de turismo

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou João de Deus, pela 12ª vez, por crimes sexuais durante atendimentos espirituais em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Desta vez, dois guias de excursão também foram responsabilizados por estupros cometidos contra duas turistas do Rio Grande do Sul.

“Os guias eram coniventes e atuavam energicamente para que elas não interrompessem o ‘tratamento’. Chegavam a dizer que eles também já tinham passado por este processo de ‘cura’, mas que era praticado por outro homem e não João Faria”, relata a promotora de Justiça Renata Caroliny Ribeiro e Silva.

João de Deus está preso há mais de um ano e nega ter cometido os crimes. O advogado de João de Deus, Anderson Van Gualberto disse que a defesa ainda não foi intimada sobre esta nova denúncia.

Disse ainda que “de antemão, caso está denúncia tenha sido desenhada com os mesmos contornos das anteriores, não terá melhor sorte nos tribunais superiores, pois o MP vem fazendo verdadeiro malabarismo jurídico para tentar prevalecer a qualquer custo as imputações criminais inverídicas e para tanto utiliza os meios de comunicação para inflacionar o sentimento de ódio contra o meu cliente, fazendo do processo um espetáculo público”.

A 12ª denúncia foi feita ao Poder Judiciário no dia 26 de dezembro, mas divulgada apenas nesta segunda-feira (13). A juíza Rosângela Rodrigues afirmou que recebeu o documento, mas, por enquanto, não vai se pronunciar sobre o caso, pois corre segredo de Justiça.

A investigação apontou que os abusos citados na denúncia aconteceram ente janeiro de 2009 e janeiro de 2011. As vítimas tinham, à época, entre 20 e 28 anos.

De acordo com a promotora, os guias denunciados tinham um relação próxima a elas e trabalhavam com excursões de fiéis do Rio Grande do Sul para Abadiânia. As viagens aconteciam mensalmente.

A denúncia diz que, durante as excursões, as vítimas reportavam aos guias os abusos que aconteciam dentro da casa Dom Inácio de Loyola. Porém, eram orientadas de que tudo fazia parte do tratamento espiritual.

“Eles diziam que as ejaculações poderiam ser muito mais fortes que centenas de cirurgias espirituais que essas vítimas poderiam realizar”, disse a promotora.

De acordo com Renata, com esta denúncia, o MP-GO abre uma nova etapa de apurações que pretende chegar a uma rede de proteção ligada a João de Deus.

“Nós estamos indo além da responsabilização criminal só do João Teixeira de Faria. Nós percebemos que essa rede de proteção atuava energicamente, não só no sentido de serem coniventes, mas também atuavam para que essas vítimas não procurassem a justiça. Persuadindo-as no sentindo de continuarem com a garantia de cura e limpeza espiritual”, relata a promotora.

Com informações de G1

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