É engraçado ver como as modernidades tecnológicas atingem a cada um em ritmo diferente.
Conto que, no ano passado, fiz cirurgia e fiquei internado alguns dias na UTI. No dia seguinte à operação, quem tomou conta de mim foi meu filho Gil. Ele é PhD da UnB, dominante em tecnologia e matemática.
Rapidamente recuperado, pedi ao professor Gil Riella uma caneta para poder trabalhar no hospital. Respondeu: “Não uso caneta”. Ele está em outro patamar – e já não precisa assinar cheque.
Lembrei do ano passado, quando fui diretor da importante “CDL Tecnologia”. Os outros quatro diretores dessa empresa, avançadinhos, me olhavam como dinossauro, rejeitando meu bloquinho de anotações.
De repente, recebemos uma visita muito importante: um sujeito grandalhão, muito elegante, presidente da Informatica, multinacional de tecnologia dos EUA. O cara sentou ao meu lado e abriu com firmeza uma cadernetinha igualzinha à minha. Passei a reunião rindo dos meus colegas diretores.
A tecnologia demora para ser absorvida.
A propósito, tenho outra história ilustrativa. Aconteceu há mais de 30 anos, quando fiz um curso internacional de marketing em Lisboa. Até diretores da Globo participaram.
No último dia, em 1996, um inglês poderoso fez palestra chocante, dizendo que os jornais digitais iam tomar o mercado de comunicação brevemente. Tomei coragem e perguntei: “Quantos anos mais de vida terão os poderosos jornais impressos do Brasil?”
O indivíduo deu uma risadinha condescendente e respondeu: “Duram mais dez anos”.
Mentiroso! Chutou e errou feio. Trinta anos depois os nossos jornais ainda têm influência na vida brasileira.
Coisa aparecida aconteceu em 2018. A empresa CDS, já citada por mim, patrocinou importante palestra no IESB, do diretor do Google na América Latina. Como patrocinador, tive o direito de fazer comentário após a fala (antes das perguntas do público).
Estava assustado, porque o grande especialista afirmou que o email estava liquidado, morto por outras redes, entre as quais o WhatsApp.
Discordei. Firme, provei para ele que o brasileiro não abre mão do Gmail para transmitir textos maiores, pesquisas, etc. “Como jornalista, o email é vital para mim” (situação que, oito anos depois, persiste). O carinha não me contestou.
E assim vamos evoluindo, agora com Inteligência Artificial (IA) – que vai demorar para ser absorvida pela população.