RENATO RIELLA
De repente, a gente descobriu que quase tudo é feito errado no Brasil. E, com isso, começaram a ser tomadas medidas emocionais, como o programa Mais Médicos, que não se sabe como terminará.
Agora, há a neurose contra o voto secreto nas casas parlamentares, agravado pela decisão maluca de se manter o mandato do deputado Satan Danadão, mesmo sabendo-se que este cara está condenado e preso na Papuda.
No entanto, como se diz de forma ridícula, o voto secreto é uma faca de dois legumes.
No caso da cassação do deputado, o voto aberto seria útil, pois o povo condenaria aqueles que defendessem o criminoso.
Mas há situação em que o voto secreto é não somente necessário – como constitucional.
É o caso da eleição de dirigentes para as Casas do Congresso Nacional e outras Casas legislativas.
Se todo eleitor pode escolher candidatos nas eleições diversas realizadas no país, por que deputados e senadores não podem eleger dirigentes das Casas legislativas sem se exporem a pressões?
O voto secreto é sagrado e constitucional. Se os parlamentares forem obrigados a votar abertamente para presidente do Senado, por exemplo, certamente serão pressionados de forma desonesta pelo presidente da República de plantão, não podendo, com isso, exercer seu poder de eleitor livremente.
O mesmo vale para a aprovação de indicados a cargos estratégicos (embaixadores, dirigentes de agências reguladoras, etc). Nesse caso, deputados e senadores podem decidir com visão pessoal se esses técnicos estão à altura dos cargos que vão assumir.
Caso o voto seja aberto, o presidente da República de plantão liga para deputados e senadores exigindo que aprovem nomes de interesse do Palácio do Planalto – e que nem sempre são de interesse da sociedade, sempre representada pelos parlamentares.
O voto secreto pode acabar sendo aprovado de forma açodada pelo Congresso Nacional, mas talvez tenha de receber correções depois.
As coisas no Brasil estão muito complicadas e as decisões são no chute, no vamos-lá.