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jan 08 2014

Nível superior para soldado é um crime contra a sociedade

RENATO RIELLA

Há alguns anos me envolvi em grande polêmica quanto critiquei, sozinho, o edital que exigia diploma de nível superior para contratação de soldados da Polícia Militar do DF.

Publiquei longa argumentação, que hoje se comprova. A principal origem da crise vivida pela PM-DF é esta entrada de “doutores” no trabalho de policiamento externo e ostensivo.

Em comentários de anos anteriores, fiz brincadeiras-sérias nos textos, como ilustração. Mostrei que um soldado médico seria muito útil quando uma mulher estivesse parindo dentro de um ônibus.

Um soldado psicólogo iria separar uma briga entre marido e mulher e transformaria a ronda numa consulta, com orientação psicológica in loco.

Em compensação, um soldado arquiteto poderia perder o foco na ação de policiamento, se estivesse perto da Catedral do Niemeyer, que certamente atrairia a sua atenção de forma romântica.

Isso sem contar os soldados advogados, que poderiam já fazer o trabalho dos promotores…etc.

DIPLOMA PARA SOLDADO
É UM GRANDE ABSURDO

Foi um absurdo impor exigência de diploma para soldado nos editais de concursos. Na verdade, isso condenou a PM do DF à extinção, acabando a noção de carreira.

Engenheiro, veterinário, administrador, geólogo, dentista ou qualquer outro “doutor” estará na PM apenas de passagem, aproveitando as folgas para estudar, sonhando em passar num concurso de policial civil, Judiciário, TCU, Senado, etc.

As funções devem ter a cara da sua execução. Ser soldado não tipifica uma atividade de nível superior e seria mais aplicável ao jovem portador de diploma de segundo grau, o qual encontra incrível dificuldade de emprego no DF.

Um rapaz ou uma moça sem curso superior entraria como soldado e teria muito orgulho da sua farda. Faria com prazer os cursos internos de formação e cresceria na carreira de modo surpreendente – como acontecia antes.

Além do mais, esse trabalhador aceitaria de bom grado o salário (que não é ruim), sabendo que teria chances de progredir, status de autoridade e perspectiva de ótima aposentadoria.

Nesse ponto, abro um parênteses e mostro que qualquer PM que entrar na carreira no posto mais baixo terá aposentadoria mais do que o dobro superior à minha, de jornalista, que completarei 65 anos em março. Sabem qual será a minha aposentadoria? Apenas R$ 3 mil. E nem por isso faço “operação tartaruga”, pois na iniciativa privada isso não acontece. Não tenho a quem chorar.

O que mais me assusta, nesta polêmica da PM que abri no BLOG e no Facebook, é que, em mais de cem contestações feitas democraticamente por pessoas que defendem as reivindicações dos policiais, em todos os depoimentos é reconhecido o estado de greve branca, com operação-padrão, operação-tartaruga e outras formas de se agredir a Constituição brasileira.

Quantos anos mais vamos aceitar de operação-tartaruga antes de pedir a extinção da PM? E quantos anos mais a PM vai fazer operação-tartaruga antes de perceber que está se condenando à extinção?

Eis a reflexão. Não dá para esticar demais qualquer corda.

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