No 2° trimestre de 2025, cerca 8,9 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos, que representavam 17,9% de uma população de 49,5 milhões de pessoas, estavam sem trabalho e fora da escola.
Chamados por muitos de nem-nem,porque não trabalham ou estudam, eles experimentam uma realidade diferente da vivida pela juventude de outros países e, por essa razão, não deveriam receber essa denominação. Não se trata apenas de diferenças metodológicas na forma como se mensuram os dados no Brasil em relação a outros países.
Em geral, as estatísticas relacionadas aos chamados nem-nem no Brasil consideram como fora da escola qualquer jovem que não esteja no ensino “regular” (fundamental, médio ou superior), mas não levam em conta como estudante quem está matriculado em cursos livres, como, por exemplo, cursos pré-vestibulares ou de treinamento.
O termo nem-nem dá a entender que há passividade dos jovens diante do mercado de trabalho. No caso brasileiro, o termo adequado seria sem-sem, pois os dados indicam que:
• É uma fase passageira. Ficar sem trabalho e fora da escola é, em geral, situação transitória ou eventual e acontece porque os jovens estão mais propensos a aceitar postos de trabalho precários, sem estabilidade e com alta rotatividade de mão de obra.
• Há relação com a situação socioeconômica do jovem. Jovens provenientes de lares mais pobres chegam ao fim do ensino médio com um leque mais estreito de oportunidades e enfrentam dificuldades na transição escola-trabalho. Os jovens em domicílios com melhores condições socioeconômicas têm mais chances de continuar estudando após o ensino médio
• Os jovens não estão, de fato, parados. A maior parte dos chamados nem-nem está em busca de trabalho enquanto cuida de outras tarefas ou realiza cursos não regulares. Aliás, boa parte são mulheres jovens que exercem tarefas domésticas, embora não consideradas como força de trabalho.
• Parcela muito pequena dos jovens afirmava não querer trabalhar. Muitas vezes, o que impede os mais jovens de frequentar a escola ou de conseguir um emprego tem mais a ver com a situação do mercado de trabalho e com as alternativas ocupacionais que lhes são ofertadas do que com falta de empenho.
O número de jovens sem trabalho e sem frequentar escola está em queda desde o pico dessa situação, em 2020. No 2º trimestre de 2025, 8,9 milhões de jovens viviam esse cenário, o equivalente a 17,9% dessa população.
Entre as mulheres, 42% daquelas que não trabalhavam ou estudavam relataram estar nessa situação porque tinham que cuidar dos afazeres domésticos (casa, filhos ou parentes). Entre os homens, 34% estavam em busca de emprego. Outros 8% dos jovens nessa condição realizavam algum curso fora da educação regular.
Apenas 2% disseram que não estavam trabalhando porque não queriam.
O que explica a queda no número de jovens sem trabalho e sem estudar é principalmente a melhora do nível de atividade econômica, que manteve o mercado de trabalho mais aquecido. Entre o 2º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2025, a queda foi de 5%. Nesse intervalo, observou-se aumento significativo de jovens ocupados: a categoria dos que trabalham, mas não estudam cresceu 32% entre os informais e 25% entre os formais,
grupo que inclui empregados com carteira assinada. Já entre os que conciliam trabalho e estudo, houve alta de 30%.
Outro elemento que revela a importância do mercado de trabalho aquecido para o nível de atividade dos jovens é a queda na taxa de desocupação da juventude, que acompanhou a dos trabalhadores mais velhos. Entre o 2º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2025, a taxa caiu de 24,4% para 10,2%, a menor da série histórica. Entre as mulheres negras jovens, a taxa de desocupação era de 12,7% no 2º trimestre de 2025.
Em todo caso, as taxas desocupação ainda são mais elevadas nas fases iniciais de carreira. Entre os jovens de 18 anos, era de 20,2%, refletindo as dificuldades de inserção no mercado de trabalho logo após a conclusão do ensino médio. A taxa diminui progressivamente com o avanço da idade, estabilizando-se em torno de 7% a partir dos 24 anos.
No 2º trimestre de 2025, havia 26,8 milhões de jovens entre 14 e 29 anos trabalhando. O rendimento médio deles era de R$ 2.314, valor 38% inferior ao dos trabalhadores de 30 anos ou mais (R$ 3.740). Entre os jovens com menos de 18 anos ocupados, o rendimento médio era inferior ao salário mínimo (R$ 992).
Entre os jovens, era expressiva a parcela daqueles submetidos a longas jornadas de trabalho: 41% cumpriam mais de 40 horas semanais, percentual que supera inclusive o verificado entre os trabalhadores mais velhos (39%), o que certamente dificulta a conciliação entre trabalho e estudos.
As ocupações mais comuns entre os jovens eram vendedores de loja, escriturários gerais e trabalhadores da construção. Entre as 20 ocupações mais comuns entre os jovens, nenhuma era de trabalhadores de nível técnico ou superior.
Fonte: Dieese