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set 08 2013

O BRASIL ESTÁ À BEIRA DA GUERRILHA URBANA

 RENATO RIELLA

 As Forças Armadas foram desmoralizadas no 7 de Setembro e viram as suas sagradas paradas, inexpugnáveis, serem invadidas, reduzidas, agitadas e até impedidas por meros Black Blocs.

Especialistas não conseguem nem definir o que é ser Black Bloc. Não há líder, nem sede, nem cor, nem ideias em comum – não há nada que identifique esses grupos, a não ser uma revolta sem foco, com o uso de eventuais máscaras.

Não adianta dizer que esses jovens alucinados são subsidiados com grana estrangeira. Nem que estão ligados a marginais. E nem mesmo que estão coordenados por políticos de oposição. Nada de nada.

É claro que, no Facebook, foi chocante e assustador ver uma mensagem super bem feita, do site internacional Anonymous, lida por alguém com forte sotaque gringo, propondo protestos no 7 de Setembro.

Mas não foi isso que levou centenas de jovens às ruas, em cada cidade, melando as paradas cívicas. No Facebook, apelos brasileiros diversos, feitos por gente sem grupo, pediam durante semanas que a gente fosse às ruas protestar com os erros do Brasil. E muitos foram.

 

POR QUE MUITA GENTE

DEIXOU DE IR ÀS RUAS?

Vale lembrar que, em junho deste ano, cerca de dois milhões de brasileiros saíram às ruas do país protestando contra tudo (pois tudo está mesmo errado). A maioria dessas pessoas deixou de participar dos atos de protesto. E por que?

As pesquisas mostram que grande parte dos brasileiros apóia as manifestações de rua, denunciando transporte ruim, saúde assassina, escolas ridículas, falta de austeridade na área política, projetos legislativos monstruosos, impunidade, corrupção, Copa do Mundo sem transparência e outras questões.

Mas as pessoas comuns, que foram às ruas este ano levando cartazes feitos à mão, têm medo dos conflitos causados pelos Black Blocs. E temem, também, a ação a cada momento mais truculenta da polícia.

 

CAETANO EXPRIME A REVOLTA

DE QUEM NÃO VAI AOS PROTESTOS

Porém, o sentimento de revolta permanece. Dá para entender a ação de Caetano Veloso, ao usar uma máscara de Black Bloc, como um protesto de terceira idade, feito na mídia, sem ir às ruas, refletindo a revolta contra as barbaridades.

Pergunta-se: dá para aceitar que o governador do Rio, Sérgio Cabral, tenha entregue de bandeja o estádio Maracanã para Eike Batista, de modo a obrigar os times cariocas a jogarem em Brasília e em outras cidades?

Dá para aceitar que bilhões de reais tenham sido desviados em São Paulo, DF e outras cidades, nessa roubalheira da Siemens, que começa a ser apurada? Vale lembrar que, bem informada, a população entra nos metrôs sabendo que o serviço seria melhor se não houvesse tanto desvio de recursos. Assim, sobraram os Black Blocs como expressão da revolta brasileira.

É claro que, diante de tanta crise, temos ainda o que comemorar. Um fato a se enaltecer é o registro de que, em quatro meses de agitação, não morreu nenhum manifestante e nenhum policial em função do confronto direto nas ruas.

Essa visão de um entrechoque violento, mas não fatal, coloca o Brasil até o momento na condição de país altamente civilizado. Vimos há pouco tempo polícias mais avançadas, como na Inglaterra ou na Austrália, matarem brasileiros nas ruas por nada.

No entanto, se não morreu ninguém nas cidades brasileiros, devemos nos preparar para a evolução negativa dos fatos. Vemos que os chamados Black Blocs estão a cada momento mais armados, com estilingues, bombas caseiras, coquetéis molotov e outras formas de enfrentar a repressão.

Muitos deles têm sido presos e enquadrados em artigos graves, como formação de quadrilha, passíveis de entrarem na marginalidade. Daí para o crime, de fato, é um pequeno passo.

 

ORGANIZAÇÃO PARAMILITAR

É O PRÓXIMO PASSO NO BRASIL

O que devemos temer – e estamos perto de ver isso acontecer – é o surgimento de guerrilhas urbanas. Vale daqui, deste BLOG de tom diferente, alertar a presidente Dilma para a perspectiva de organização paramilitar desses blackbloquistas, pois os rapazes e moças não assistirão de braços cruzados o acirramento da repressão.

Todos nós, que temos alguma forma de patrimônio, devemos nos preocupar, pois a injustiça política do Brasil é tão grande, mas tão grande, que a coisa pode explodir.

A tentativa de invasão da sede da TV Globo na Asa Norte de Brasília, no 7 de Setembro, já foi a segunda em dois meses. Felizmente a PM do DF conseguiu impedir conseqüências mais graves contra os jornalistas que estavam retidos nas redações.

Grandes bancos, magazines, shoppings e casas legislativas são os principais alvos dos chamados vândalos, que na verdade são Black Blocs que perdem o controle das suas ações.

 

O POVO QUER RESPOSTAS

POLÍTICAS MUITO CLARAS

A presidente Dilma e as cabeças pensantes do Brasil, inclusive os grandes empresários, precisam dar respostas claras à massa, reduzindo o nível de revolta.

O programa Mais Médicos pode até funcionar, mas atinge os chamados grotões, áreas distantes dos grandes centros. No Rio, em São Paulo, em Brasília e em outras grandes cidades, as populações estão com muito ódio diante das mordomias dos deputados, como também ao verem médicos que não cumprem jornadas nos hospitais e empresários de ônibus que prestam péssimos serviços.

Se não houver um grande pacto nacional das elites para reduzir as provocações contra o povo, vai começar a morrer gente nas ruas, de ambos os lados: Black Bloc e Polícia Militar.

Por enquanto, as cenas são chocantes, mas não são fatais. Mas não podemos minimizar as coisas, quando centenas de jovens em cada cidade conseguem acuar as Forças Armadas em pleno 7 de Setembro. Não é mole, não, pessoal!

Quem tentar minimizar o 7 de Setembro de 2013 está evitando ver a verdade: o Brasil não aceita mais tanto abuso oficial. É preciso dar respostas políticas claras ao povo, sem enrolação.

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