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jun 30 2021

OCDE aponta desigualdades na educação dos estudantes brasileiros

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou hoje (30) estudos sobre a Educação no Brasil em comparação a outros países e caminhos para colocar em prática políticas públicas que façam a diferença na vida dos milhões de alunos brasileiros. Os estudos tiveram apoio do Todos pela Educação e Itaú Social.

O relatório “A Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional”, que contou com o apoio técnico do Todos Pela Educação, traz uma análise detalhada do desempenho do sistema educacional brasileiro. O principal ponto do estudo mostra que desigualdade no Brasil é um problema a ser vencido. A população mais vulnerável tem menos acesso à educação de qualidade e é a que mais abandona os estudos. 

No texto, a pandemia surge como um fator que agrava as desigualdades já existentes no país, além da falta de investimentos adequados e com distribuição mais justa e eficiente de recursos. O novo ensino médio é apontado como um caminho para diminuir a reprovação e evasão escolar, no entanto, ainda é uma realidade distante para os estudantes mais vulneráveis, pelo menos metade dessa população não conclui os estudos.

Já a publicação “Education Policy Outlook Brasil”, com suporte do Itaú Social, compõe a série Education Policy Outlook, observatório de políticas educacionais da OCDE. O material sintetiza avanços e desafios em áreas como governança, financiamento, avaliação, gestão escolar e qualidade com equidade. Além de iniciativas brasileiras nos níveis federal, estadual e municipal, o relatório traz experiências internacionais e lições aprendidas com a pandemia.

Em 2018, quase metade (46%) dos jovens adultos, de 25 a 34 anos, havia concluído o ensino médio, mais que o dobro da geração mais velha (22%, entre os adultos de 55 a 64 anos). No entanto, os índices são inferiores aos outros países da OCDE — apenas 22% não concluíram o ensino médio.

No Brasil, considerando a população mais vulnerável de 18 a 29 anos, 59% não havia concluído o ensino médio. Essa camada também é a que mais reprova e abandona a escola. Muitos alunos deixam os estudos para procurar emprego ou assumir responsabilidades em casa. Fator que pode ter sido agravado pela pandemia de Covid-19.

Os estudos mostram que os baixos resultados em exames internacionais como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) têm origem nos primeiros anos de escolaridade.

“Sem dominar as habilidades básicas, os alunos são incapazes de progredir e acumular competências mais avançadas, ficando cada vez mais aquém das expectativas. As crianças de contextos socioeconomicamente mais baixos são mais vulneráveis a esse ciclo vicioso, tendo, muitas vezes, entrado na escola mal preparadas para as exigências da Educação formal”aponta o texto.

O fechamento prolongado das escolas e os modelos de ensino a distância implantados durante a pandemia também podem levar a perdas de aprendizagem. As diferenças entre as escolas públicas e particulares correm o risco de agravar ainda mais as disparidades socioeconômicas.

“Atualmente, o sistema educacional brasileiro não oferece igualdade de condições para as crianças e os jovens. As famílias que podem pagar para matricular seus filhos em escolas privadas conseguem oferecer-lhes melhores perspectivas acadêmicas e profissionais. Por outro lado, os alunos de famílias de nível socioeconômico mais baixo não têm as mesmas oportunidades e tendem a frequentar escolas públicas de baixa qualidade.”

Na Educação, as meninas e jovens mulheres têm maior probabilidade de se matricularem na escola e progredirem para níveis mais avançados do que os meninos. No mercado de trabalho, porém, a tendência se inverte. As mulheres apresentam níveis de emprego mais baixos e enfrentam uma desigualdade salarial significativa em relação aos homens.

O relatório aponta que a distribuição de recursos no Brasil não é tão justa e eficiente quanto poderia ser. “Atualmente, o Brasil investe mais em educação superior do que em educação infantil, embora as evidências mostrem que o acesso ao ensino infantil de alta qualidade não apenas contribui para melhores resultados de aprendizagem, mas também pode ajudar a reduzir as desigualdades.”

Outro ponto, a crise ecomômica coloca em risco os gastos com a educação. Para sustentar melhorias no ensino e aprendizagem, o país precisará manter os níveis atuais de recursos educacionais. Ao mesmo tempo que é preciso utilizar os recursos de forma mais eficiente e introduzir maior controle nos gastos educacionais.

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