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jun 24 2020

Polícia Federal faz operação na casa de comandante da PM no governo Pimentel

A Polícia Federal (PF) fez, hoje (24), uma operação no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na residência de um coronel reformado da Polícia Militar (PM).

De acordo com a PF, o coronel reformado Helbert Figueiró de Lourdes é investigado por tentar embaraçar ou obstruir mandados judiciais em decorrência da operação “Acrônimo”. Ele foi comandante-geral da PM no governo de Fernando Pimentel.

Segundo a Polícia Federal, Figueiró avisava ao então governador sobre movimentação do efetivo da PF pela cidade, inclusive sobre voos da própria corporação com policiais que vinham de Brasília.

A investigação tenta descobrir como o ex-comandante-geral da PM obtinha informações dentro da PF. A operação de hoje, encerrada por volta das 7h30, foi feita com mandados de busca e apreensão. Os agentes seguiram para a sede da Polícia Federal levando três celulares e um computador. Figueiró deve ser ouvido ainda hoje.

Procurado pela imprensa, o ex-governador Fernando Pimentel não quis comentar sobre a operação da PF alegando desconhecer “totalmente o teor da mesma”, mas fez questão de dizer que nunca recebeu “informações privilegiadas” de quem quer que seja sobre assuntos da Polícia Federal.

Em março de 2017, o Diário do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais registrou sessão durante a qual deputados comentaram que Pimentel seria concunhado de Figueiró, informação negada pelo ex-governador.

Em nota enviada à TV Globo, o coronel reformado disse ter sido surpreendido pela presença da Polícia Federal para cumprimento de mandado de busca de apreensão. Confirmou que foram recolhidos um notebook e o celular pessoal e que as investigações referem-se a fatos do inquérito a que está submetido o ex-governador Fernando Pimentel, em época em que Figueiró ocupava a função de chefe do Gabinete Militar do Governador, nos anos de 2015 e 2016.

“É lamentável e constrangedor passar por tal situação, após cumprir 31 anos de serviços com conduta irretocável, mas entendemos que tudo isso decorre do ônus da função exercida. Ressalto que estou tranquilo pois não tenho nada a ocultar perante a Justiça”, disse Figueiró, na nota.

A apreensão de R$ 113 mil em um jatinho, em outubro de 2014, deu início às investigações da operação “Acrônimo”, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos para financiamento de campanhas eleitorais. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou abertura de inquérito para apurar suposto elo com Pimentel.

No dia 7 de outubro de 2014, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 110 mil com passageiros de uma aeronave que pousou no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. De acordo com a corporação, o jatinho pertencia a uma empresa de táxi aéreo e estava com três passageiros, vindos de Belo Horizonte.

De acordo com PF, os três passageiros da aeronave eram Marcier Trombiere Moreira, que trabalhou na campanha do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono de uma gráfica que também prestou serviço para o petista, e um homem identificado como Pedro Medeiros.

No dia seguinte à apreensão, a corporação abriu um inquérito e iniciou as investigações.

Com informações de G1

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