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jun 16 2013

REVOLTA SEM BANDEIRA NEM LÍDERES DESAFIA O BRASIL

RENATO RIELLA

Está acontecendo no Brasil uma revolta à procura de uma bandeira. As pessoas não sabem ainda porque estão putasdavida. Só sabem que estão descontentes – desencantadas.

O mundo está tentando entender o Brasil neste momento polêmico. Coitados, não conseguirão! Mais do que nunca, está no ar a frase de Tom Jobim: “O Brasil não é para amadores”.

É um erro de entendimento tentar comparar os protestos do Brasil com os movimentos da Turquia. Nada a ver.

Existe erro maior quando a imprensa de fora diz que os brasileiros estão fazendo quebra-quebra nas ruas por causa de míseros centavos de euros das passagens de ônibus. Eles não entendem nada!

O braço direito da presidente Dilma, Gilberto Carvalho, chamou ao Palácio do Planalto representantes dos garotos que agitaram a parte externa do Estádio Garrincha. Vão conversar numa linguagem de Torre de Babel. Ninguém sabe ainda o que reivindicar. Só se sabe que há motivos para vaias e protestos.

O comando do país precisa estabelecer um novo pacto com a sociedade pensante, que está se transformando numa minoria revolucionária. Não adianta falar em manipulação de grupos, pois as passeatas são convocadas pela internet e não têm líderes fixos.

E temos de levar em conta que a presidente Dilma ainda conta com mais de um ano e meio de governo. Portanto, temos de enguli-la, como diria Zagalo. É com ela que teremos de encontrar uma saída.

Mas Dilma precisa saber que, se forem presos 1.000 manifestantes, surgirão dez mil anônimos chamando a garotada para as ruas. Para se contrapor a tudo isso, os governos terão de mudar a linguagem.

Sou pesquisador intenso das redes sociais e posso dar alguns palpites.

A opinião pública descontente quer transparência. Quer o fim da impunidade no Brasil. Se os condenados pelo Mensalão não forem presos antes das eleições, a presidente Dilma Rousseff terá graves problemas, pois o povo atribui a ela a manobra para deixar José Dirceu e amigos soltos. Mais ainda depois dessa nomeação de dois ministros novos para o Supremo Tribunal Federal.

A construção dos estádios transformou-se num símbolo das revoltas e a Fifa deve estar morrendo de medo do que pode acontecer nas próximas semanas. Será que os movimentos de rua vão parar se as tarifas de ônibus forem revistas aqui ou ali?

Incrível é ver que a presidente Dilma tem 57% de aprovação popular, real, fato confirmado por diversas pesquisas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem votos que lhe garantem a reeleição em 2014, até mesmo se a disputa for contra o ex-presidente Lula.

Por que governantes tão fortes estão tremendo neste momento? Porque perderam o controle de uma parte da população pulsante, que se comunica à margem da comunicação, pelas redes sociais. Esses brasileiros asseguraram capacidade de comunicação elevada.

Na internet, circula o vídeo de uma menina (deve ter 18 anos) falando durante cinco minutos e pregando uma verdadeira revolução. Ela é brilhante. Deve ofuscar o Zé Dirceu dos 19 anos, na antiga UNE. Bate violentamente na sociedade omissa e já assegurou 70 mil compartilhamentos.

De tudo, percebe-se que os descontentes ainda não sabem o que querem. E o governo ainda não sabe o que oferecer.

Mas ambos precisam querer um Brasil mais decente na saúde, na educação, na segurança, na transparência, na reforma dos partidos políticos, etc.

Como fazer isso? Sinceramente, só depois de muito mais confusão saberemos. Por enquanto, o Brasil oficial e o Brasil real ainda estão se enfrentando. E tome porrada!

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