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out 10 2018

Roger Waters é vaiado e aplaudido em São Paulo; exibiu #elenão em show para 45 mil

Expressão #EleNao é exibida durante show em São Paulo — Foto: Janaína Lepri/TV Globo

O cantor, compositor e líder do Pink Floyd, Roger Waters arrancou uma reação vibrante dos 45,5 mil presentes no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de ontem. Foi o início da turnê “Us + Them” no Brasil. O principal motivo foi sua posição contra a eleição do presidenciável Jair Bolsonaro.

O telão da turnê  mostrou coisas às quais Roger Waters pede para os fãs resistirem: anti-semitismo, destruição do meio ambiente, tortura e outros.

Uma destas imagens dizia: “resista ao neofascismo”. Em seguida, o telão dizia que “o neofascismo está crescendo pelo mundo”, e listava políticos de vários países. Na lista que já tinha aparecido em outros shows da turnê, Roger Waters acrescentou em São Paulo o nome de Jair Bolsonaro.

Mesmo antes de aparecer o nome de Bolsonaro no telão, o público já havia reagido à palavra “resistir” que era destacada após “Another brick in the wall”.

Primeiro, uma parte do público cantou duas vezes o coro de “ele não”, contra Bolsonaro. Depois, uma parte do público cantou um coro de “fora PT”, partido do opositor de Bolsonaro no segundo turno das eleições, Fernando Haddad.

Só depois disso apareceu a tela sobre o neofascismo com o nome de Bolsonaro. O público reagiu com gritos, aplausos e vaias. Logo depois, veio outro coro de “fora PT”.

As referências e gritos sobre política voltaram a aparecer no final do show. No final da música “Eclipse”, o telão mostrou a expressão #EleNão, usada em redes sociais para criticar Bolsonaro.

O público respondeu com quatro minutos seguidos de vaias e aplausos. Waters encarou a plateia e, quando conseguiu falar, fez um agradecimento genérico:

“Eu sabia que isso ia acontecer porque em São Paulo, e na América do Sul em geral, vocês têm a fama de terem muito amor no coração”, ele disse, agradecendo a público mesmo ainda sob algumas vaias.

Depois, ele fez um novo discurso, dessa vez mais longo e específico. Primeiro, falou sobre Direitos Humanos. “Eu sempre menciono os Direitos Humanos porque acredito neles”. Ele defendeu o povo palestino, tema que o músico sempre aborda. Depois, falou sobre o Brasil:

“Vocês têm uma eleição importante em três semanas. Vão ter que decidir quem querem como próximo presidente. Sei que não é da minha conta, mas eu sou contra o ressurgimento do fascismo por todo o mundo. E como um defensor dos Direitos Humanos, isso inclui o direito de protestar pacificamente sob a lei. Eu preferiria não viver sob as regras de alguém que acredita que a ditadura militar é uma coisa boa. Eu lembro dos dias ruins na América do Sul, e das ditaduras, e foi feio”, disse Roger Waters.

Na música seguinte, o #EleNão voltou a aparecer no telão, recebido de novo com aplausos de uma parte e vaias de outra.

O público só se uniu mesmo no final, em “Confortably numb”, com todo mundo jogando as mãos para cima e cantando junto, desta vez um mesmo refrão, do clássico do Pink Floyd.

Fonte: G1

Foto:  Janaína Lepri/TV Globo

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