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mar 29 2013

ROGÉRIO ROSSO TEM UM PARTIDO NA MÃO. E DAÍ?

RENATO RIELLA

Vou acabar lançando, nesta série da Paixão, mais de dez possíveis candidatos a governador do DF. Por exemplo, não dá para deixar Rogério Rosso de fora. Ele foi governador durante todo o ano de 2010 e saiu inteiro, tendo o mérito de conviver com os rescaldos da Caixa de Pandora e ainda administrar a cidade no meio de uma eleição. Não é pouca coisa, não!

Rogério Rosso já perdeu duas eleições para deputado federal pelo PMDB. Agora, é presidente regional do PSD, o partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com a proposta de não ser de direita, nem de esquerda, nem contra, nem a favor, e mesmo assim não ser um nada. Difícil!

Pode ser que Kassab dê a Rogério Rosso a difícil missão de se candidatar a governador. O partido precisa de um cabeça de chapa para poder eleger alguns distritais e um ou dois federais. Além disso, mesmo que Rosso não se eleja governador, no segundo turno o seu apoio pode ser fundamental para eleger um dos dois concorrentes. E isso pesa depois na formação do governo. É assim que se desenvolve o pensamento político.

Portanto, garotada, não deixe Rosso fora do seu caderninho de apostas. Além disso, quem sabe não ocorre um vento cruzado e ele se elege. Quem sabe?

Rosso tem alguns problemas sérios (e um deles não é falta de dinheiro). Ele é linear, frio, meio pesado, sem bandeiras definidas, sem discurso contundente, apesar de aparentemente charmoso (até bonito, nos padrões comerciais globais). Não aprendeu nada com Joaquim Roriz, mesmo frequentando durante anos a casa e os palanques desse político incrivelmente bem sucedido ao longo da vida.

Como lição, lembro coisas que vi no Roriz. Mesmo trocando nomes de gente e até expressões de uso público, ele dominava plateias e virava públicos hostis, em poucos minutos de fala. Já vi, por exemplo, Roriz falar BIP em vez de PIB num mesmo discurso, durante três vezes, e ninguém vaiou nem deu risada.

Numa campanha, fomos apoiar um comício do candidato Miúra (do judô) no centro de Taguatinga. Havia cerca de 500 pessoas numa rua, à noite. Roriz chegou atrasado, subiu correndo no pequeno palanque, pegou o microfone e disse: “Não poderia deixar de vir aqui, para dar o meu apoio e um abraço no candidato Mitchúria”. Ao meu lado, encostado num poste, o major César Caldas tomou um susto e clamou: “Meu Deus”. Mitchúria não se elegeu, mas Roriz continuou forte no voto.

Rosso precisa lembrar de episódios como este, se for candidato. Sem risco, sem força, sem erros não se faz política. Mesmo assim ele tem chance. Já disse: a política no DF é terra arrasada. Qualquer semente que cair em terreno fértil pode se dar bem.

E um marqueteiro mediano (não precisa ser o caríssimo Judas Mendonça) consegue resolver as deficiências de Rosso em duas ou três sessões, se ele quiser. 

 

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