«

»

jun 26 2015

SALVEI A VIDA DE RORIZ, ARRUDA, PAULO OCTÁVIO, LUIZ ESTEVÃO, VIGÃO…

RENATO RIELLA

No dia 15 de março de 1991, os nomes mais controvertidos da política brasiliense iam morrer ao mesmo tempo num desastre. Mas eu não deixei. Isso mesmo: participei da decisão que salvou esse povo todo.

Joaquim Roriz, o famigerado Arruda, Paulo Octávio, Luiz Estevão, Vigão e muitos outros escaparam por sorte de morrer no desabamento do telhado do Ginásio de Esportes Nilson Nelson.

Muitas outras personalidades da vida política brasiliense morreriam também – inclusive eu. Todos esses seriam atingidos pela queda do telhado do ginásio. Mas, na última hora, com minha participação, foram salvos. Que sorte!

Parece exagero, mas é verdade histórica, poucas vezes lembrada aqui em Brasília. Todos esses estavam juntos para a posse de Joaquim Roriz como governador do DF, em 1991, mas escaparam raspando. Deus escreve certo por linhas tortas – dizem.

 

VEJA COMO ACONTECEU

 

Na primeira eleição de governador em Brasília (1990), fui o coordenador geral da campanha do eleito, Joaquim Roriz. E integrei, na sequência, a equipe que organizou a posse.

Roriz era grande ídolo e prevíamos cerca de cinco mil pessoas na solenidade. Nesse sentido, montamos dois cenários confortáveis.

No primeiro cenário, a posse se daria num palanque montado na Praça do Buriti, em frente ao Palácio, onde a multidão assistiria a solenidade.

Como alternativa, montamos outro palanque na quadra do grande Ginásio de Esportes Nilson Nelson, para o caso de chover no dia 15 de março, quando o tempo costuma ser instável.

Ônibus começaram a chegar à Praça do Buriti, e o tempo foi se armando com grossas nuvens. Houve algumas discussões com a segurança do governo e com o cerimonial, com minha participação. Vacilação daqui ou dali. O quê fazer?

De repente, começou mesmo a chover ligeiramente, mas achamos que não dava mais para transferir a solenidade para o ginásio de esportes, pois centenas de pessoas já se espalhavam na Praça.

A chuva engrossou. Depois de consultar o governador, decidimos transferir o som para dentro do Palácio, para realizar a posse no Foyer.

E assim foi feito. Os microfones ficaram instalados na escada que leva ao primeiro andar, de onde Roriz falou com entusiasmo para cerca de duas mil pessoas. Houve redução de público, felizmente, pela instabilidade do tempo.

Em meio ao barulho da solenidade, um oficial da segurança me fez gestos intensos. Desci pela multidão e saí do palácio com ele, que me disse:

-Secretário, escapamos de uma tragédia. O teto do ginásio de esportes desabou.

Na chuva, demos uma corrida. Constatamos que, se a posse tivesse sido realizada naquele local, estaríamos todos mortos.

Depois, houve a explicação. O ginásio permaneceu com suas portas abertas, na expectativa de transferência da solenidade. Um pequeno furacão de verão entrou por esses espaços e provocou um efeito intenso no teto, que se elevou e depois caiu totalmente.

Ninguém se feriu. Alguns guardas que estavam nas portas tomaram grande susto, mas escaparam. E o governador, junto com seus principais convidados, só soube que escapou por um triz horas depois. O Nilson Nelson demorou anos e anos para receber nova cobertura.

Com o desabamento, poderiam ter sido apagados da história nomes como Filippelli, Valmir Campelo, Benedito Domingos, Dona Weslian e as filhas Liliane e Jaqueline.

Estavam lá, também, Márcia Kubitschek e sua mãe Dona Sarah, embaixadores, deputados federais, talvez o Cardeal Dom José Freire Falcão, jornalistas hoje famosos e poderosos da cidade, etc.

Se todos esses morressem, a renovação na política de Brasília teria sido radical, mas quem sobraria?

Talvez o PT tivesse antecipado sua chegada ao poder. Pergunto: seria melhor?

CompartilheShare on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

3 comentários

  1. Wílon Wander Lopes

    Algumas pessoas que, como eu, sempre estão ligadas no seu/nosso blog, Riella, e que se acostumaram com meus comentários sobre suas notas, muitas vezes fazendo um saudável (segundo elas) contraponto, estão me cutucando, via fone ou e-mail, até pelo incrível e eficientíssimo whatsapp, a propósito desta nota em que, no episódio relatado, você proclama que salvou a vida de Roriz, Arruda, Paulo Octavio, Luiz Estevão e Vigão, entre outras notórias personalidades políticas do DF.

    E perguntam elas: “Por que você não diz alguma coisa sobre o tal heroísmo do Riella? E alguns ousam afrontar os destacados por você: tendo em vista o que falam deles, os processos que eles respondem, não teria sido melhor para Brasília se o Riella não tivesse praticado o tal ato heróico?

    Registro aqui os comentários que tenho ouvido a respeito – e a cobrança deles por um comentário meu.

    Confesso que não tenho posição a respeito. Primeiro, porque todos eles foram eleitos pelo povo, de onde emana todo o poder. Segundo, porque todos eles estão respondendo a processos na área de quem pode exigir deles o cumprimento às leis – a Justiça. Embora jornalista, não gosto do comportamentos de certos coleguinhas que julgam, muitas vezes sem praticar o contraditório. Para mim, julgamento é com a Justiça!

    Mas tenho uma resposta, talvez saindo pela tangente, como bom mineiro que ainda sou: como advogado que também sou, tenho minhas dúvidas sobre os acertos da Justiça dos homens, especialmente depois do caso do juiz Lalau e de outros magistrados que a moral não recomenda. É que existem os tais bandidos de toga, como os chamou a Ministra Eliana Calmon, que conhece muito bem os subterrâneos do Judiciário.

    Mas acredito na Justiça Divina… que é inexorável, implacável. Se eles praticaram mais o Bem do que o Mal, vão pro Céu. Se não, vão pro Inferno. A propósito, na minha opinião, alguns dos salvos (ou seria salvados?) pelo Riella já estão vivendo o inferno aqui mesmo. Qual deles? Ah, aí vocês já estão querendo demais…

  2. Riella

    Wilon
    Esta pessoas a quem você se refere são aquelas definidas como analfabetas funcionais.
    Não existe heroísmo de ninguém neste texto, até porque eu salvei a minha própria vida.
    Na verdade, ninguém podia adivinhar que haveria um desabamento. Foi sorte, destino ou dedo de Deus.
    Apenas registrei o fato, mostrando que por pouco não morreu todo mundo, zerando a política do DF.

  3. Dr. MARCÍLIO NOVAES MAXXON

    O ex-Senador LUIZ ESTEVÃO, foi condenado e teve o seu mandato parlamentar cassado em face da sua vida pregressa empresarial. Erro é erro e se tem que pagar pelos fatos. Agora como Senador da República teve uma conduta exemplar. O engraçado nessa história toda, é que quem lutou para destruí-lo foi o já falecido ex-senador EDUARDO DUTRA-PT(SE), e a época a Senadora Marta Suplicy-PT (SP). Ambos se dizendo arautos da moralidade, também a época. Ou seja que País é esse?
    Portanto que se faça Justiça, e se der a Liberdade a esse Cidadão, que já devolveu o que devia, e pagou um preço além do justo!
    INTELIGÊNCIA POLÍTICA
    “A Inteligência em defesa da sociedade , do estado democrático de direito e dos interesses nacionais “.
    MARCÍLIO NOVAES MAXXON
    Cientista, Observador e Estrategista Político

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>


*