«

»

abr 28 2019

Sanções americanas contra o petróleo venezuelano entram em vigor hoje

As sanções dos Estados Unidos contra o petróleo da Venezuela entraram em vigor hoje (28), em um momento em que a crise se acentua no país onde o governo de Nicolás Maduro enfrenta o líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cinquenta países.

As restrições à compra de petróleo da estatal petrolífera PDVSA, que entraram em vigor às 00h01 (01h01 de Brasília), fazem parte de uma bateria de sanções que os Estados Unidos impôs, atingindo Maduro, mas também as instituições políticas e financeiras no contexto de sua campanha de apoio a Guaidó.

Na sexta-feira, o governo de Donald Trump deu seguimento a sua estratégia atacando o chefe da diplomacia de Caracas, Jorge Arreaza.

Os dois países romperam relações diplomáticas após os Estados Unidos reconhecerem Guaidó, chefe do Parlamento, considerando que o segundo mandato de Maduro, que começou em 10 de janeiro, é ilegítimo.

“O dia 28 marca a entrada em vigor das sanções. No entanto, desde que foram anunciadas, a realidade é que o comércio de petróleo entre os Estados Unidos e a Venezuela tem sido bastante limitado”, explicou à AFP Mariano Alba, especialista em Direito Internacional com sede em Washington.

Antes das sanções anunciadas em janeiro, a Venezuela exportava 500 mil barris de petróleo pesado aos Estados Unidos, onde operava a Citgo, uma filial da PDVSA, cujas contas foram bloqueadas.

O petróleo é o pulmão da economia da Venezuela, para o qual contribui com 96% das receitas.

Com a queda da produção, estes fluxos de caixa estão em declínio, num momento em que o país experimenta uma crise sem precedentes com uma hiperinflação prevista pelo FMI de 10.000.000% este ano e uma escassez de produtos básicos, que causaram a migração de mais de 2,7 milhões de pessoas desde 2015, segundo a ONU.

Uma das principais consequências das sanções é que Caracas tem que encontrar quem forneça diluentes para refinar seu petróleo, o que aumenta seus custos de produção.

A consultora Rapidan Energy Group, com sede nos Estados Unidos, calcula em um relatório que a produção da PDVSA poderia perder temporariamente cerca de 200.000 barris por dia. O bombeamento, que era de 3,2 milhões de barris por dia em 2008, caiu para cerca de 840 mil em março.

Para contornar a sanção dos Estados Unidos, o governo venezuelano se voltou para a Índia, China e Rússia, embora as penalidades iminentes tenham assustado muitas empresas indianas.

“As sanções têm infligido danos cada vez mais graves à vida e à saúde humana”, advertiram Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, em um estudo publicado esta semana pela centro de estudos progressistas do CEPR, com sede em Washington.

Para esses especialistas, que preveem uma queda de 67% nas receitas do petróleo em 2019, as sanções se enquadram na definição de “punição coletiva contra a população civil”.

Com informações de AFP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*