«

»

mar 31 2021

Trabalhador com pouca escolaridade deve ser mais atingido com o desemprego

Pandemia gerou fechamento de 349 mil vagas e aumento de 21% dos desalentados  em 2020 | Economia | OPOVO+

A pandemia de coronavírus impactou o mercado de trabalho como um todo, mas afetou principalmente os trabalhadores informais e baixa escolaridade.

Levantamento do Ibre/FGV mostra que a redução do emprego foi significativamente maior entre brasileiros que possuem poucos anos de estudo ou não chegaram a concluir o ensino médio e sinaliza que este grupo também deverá ser o mais prejudicado no pós-pandemia.

“A queda foi muito maior nas categorias de menor escolaridade durante a pandemia. Quanto menor a qualificação e quanto mais baixos os salários, maior foi o abalo”, afirma o economista Fernando Veloso, que realizou o estudo, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, divulgados hoje (31)

Do total de 7,3 milhões de postos de trabalho perdidos em 2020, 76% eram ocupados por brasileiros com até 10 anos de estudo, mostra o levantamento.

O número de ocupados com até três anos de estudo caiu 20,6% na média do ano, na comparação com 2019. No grupo com escolaridade entre quatro e sete anos, a redução foi de 15,8% e, no grupo entre oito e dez anos de estudo a queda foi de 15,9%. Por outro lado, houve um aumento de 4,8% no emprego de pessoas com 15 anos ou mais de estudo (ensino superior incompleto). 

Embora a redução do emprego formal no primeiro ano de pandemia tenha sido expressiva (-4,2%), a queda no emprego informal foi três vezes maior (-12,6%) na média do ano em termos proporcionais. Na média nacional em 2020, o número de ocupados no País encolheu 7,9%.

Em termos absolutos, dos 7,3 milhões de posto de trabalho eliminados no país no ano passado, 5,1 milhões eram de trabalhadores informais, com destaque para os domésticos sem carteira (-18,8%), empregados sem carteira (-16,5%) e conta própria sem CNPJ (-10,3%).

Embora o número de ocupados com ensino superior completo tenha aumentado 4,8% no ano passado mesmo com a pandemia, o levantamento mostra que a criação de emprego desacelerou na comparação com 2019 (6%).

“O trabalhador com ensino superior completo foi menos atingido pela pandemia porque trabalha tipicamente em ocupações mais facilmente adaptáveis ao regime de trabalho remoto”, explica Veloso.

Por outro lado, o setor de serviços prestados às famílias foi um dos mais prejudicados pela pandemia em razão do caráter mais presencial.

“Trabalhadores de escolaridade mais baixa tendem a estar mais concentrados em setores que envolvem mais contato pessoal como restaurantes, hotéis, hospedagem em geral e serviços de limpeza, e esses setores foram muito mais fortemente atingidos com a pandemia”, afirma Veloso.

Quanto maior a escolaridade, maior também os salários. Segundo o estudo, quem tem ensino superior completo ganha na média o equivalente a quatro vezes a renda de um trabalhador sem o ensino fundamental completo e cerca de 2,5 vezes a remuneração de quem só tem o ensino médio completo.

Apesar da perspectiva de uma recuperação mais rápida do trabalho informal à medida em que ocorra um avanço da vacinação contra o coronavírus e sejam retiradas as medidas de restrição, a avaliação é que os trabalhadores com escolaridade mais baixa e com menor proteção social continuarão a ser também os mais prejudicados no pós-pandemia.

“Os trabalhadores de menor escolaridade são afetados duplamente. Primeiro porque eles têm dificuldade de fazer o trabalho remoto em razão do tipo de ocupação, que envolve mais contato pessoal no setor de serviços. Segundo, o fato de uma parcela maior da população ficar em casa significa que vai reduzir a demanda pelos serviços que são prestados por trabalhadores de menor escolaridade”, diz Veloso.

Mesmo com a reação do emprego formal nos últimos meses, o Ibre/FGV avalia que uma melhora mais consistente do mercado de trabalho só deverá ser observada no segundo semestre, a depender também do avanço da vacinação e da redução das incertezas econômicas.

“Acredito que ainda será um cenário muito difícil, com salários crescendo muito pouco e desemprego caindo lentamente”, avalia Veloso.

Ele lembra que, além do aumento do desemprego, milhões de pessoas saíram da população economicamente ativa, passaram a trabalhar menos do que gostaria ou simplesmente desistiu de procurar emprego, os chamados desalentados.

Em 2020, a taxa de desemprego média anual foi de 13,5%, a maior da série iniciada em 2012. Segundo o IBGE, o contingente de desalentados aumentou em 16,1% em relação a 2019, chegando a 5,5 milhões de pessoas. Já o número total de subutilizados ficou em 31,2 milhões, o maior da série anual, com alta de 13,1% (mais 3,6 milhões de pessoas).

Com informações de G1/IBGE

Foto: O povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*