«

»

set 26 2019

Transcrição de telefonema confirma que Trump pressionou por investigação de Biden

A Casa Branca divulgou ontem (25) a transcrição do telefonema entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmando que o americano pediu várias vezes ao ucraniano que investigasse o pré-candidato democrata à Presidência Joe Biden. Zelensky assentiu com o pedido para investigar o rival de Trump.

Informações preliminares publicadas na semana passada pela imprensa americana sobre a conversa, ocorrida no dia 25 de julho, levaram a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, a anunciar na terça-feira a abertura de um processo de impeachment contra Trump.

No diálogo, Trump pede especificamente a Zelensky que investigue uma suspeita – que até agora carece de qualquer prova – de que Biden, quando era vice-presidente de Barack Obama, teria agido para atrapalhar uma potencial investigação contra seu filho, Hunter Biden, na Ucrânia. O filho do democrata é membro do conselho de uma empresa de gás ucraniana.

“Biden se gabou de ter parado a promotoria, então se você puder dar uma olhada nisso… para mim, parece algo horrível”, afirmou Trump, de acordo com a transcrição.

Pouco antes, o presidente havia dito que “existe muita conversa” sobre o ex-vice ter agido para pressionar a Ucrânia a demitir um procurador-geral que, segundo Trump, pretendia investigar o democrata e seu filho. 

A afirmação também carece de indícios, já que outros países da Europa haviam pedido a demissão do mesmo procurador-geral, que era acusado de ser suave no combate à corrupção. E membros do Ministério Público ucraniano disseram ao The Wall Street Journal que não havia nada substancial contra Biden e seu filho.

Ainda segundo a transcrição, Trump pediu a Zelensky que entrasse em contato com o procurador-geral dos EUA, William P. Barr, e com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, para discutir medidas no caso Biden.

No diálogo, Zelensky demonstra que já estava a par do assunto e diz que um de seus assessores já havia se reunido com o advogado pessoal de Trump, o ex-prefeito Rudy Giuliani.

“Quero assegurar que o senhor não tem nada além de amigos por aqui”, disse o ucraniano. Em seguida, ele garantiu que o novo procurador-geral da Ucrânia agiria para investigar Biden. “Agora que temos uma maioria absoluta no Parlamento, o novo procurador-geral será 100% meu após ter seu nome aprovado. Ele ou ela vai analisar esse caso.”

De acordo com a transcrição liberada pela Casa Branca, Trump não fez nenhuma promessa específica para o ucraniano em troca da cooperação contra seu rival, mas disse em diversos momentos que os EUA “fazem muito pela Ucrânia”.

“Muito mais do que os países europeus estão fazendo. A Alemanha não faz quase nada por vocês. […] Muitos países são do mesmo jeito. Acho que é algo que você deveria analisar, mas os EUA têm sido muito bons para a Ucrânia.” Zelensky respondeu: “Você está absolutamente correto. Não apenas 100%, mas na verdade 1.000% correto.”

Embora Trump não tenha mencionado nenhuma ajuda em troca, a imprensa americana e a oposição democrata especulam que o republicano montou um cenário de pressão econômica para conseguir a colaboração de Zelensky.

Uma semana antes do telefonema, Trump havia suspendido uma ajuda militar de cerca de 250 milhões de dólares para a Ucrânia, que trava uma guerra em seu território contra forças apoiadas pela Rússia. E, em 11 de setembro, mais de um mês após a conversa, a verba foi descongelada.

O republicano nega qualquer irregularidade ou que tenha feito alguma pressão econômica sobre Zelensky. Na terça-feira, ele chamou a repercussão do caso de “caça às bruxas” e nesta quarta-feira voltou a negar ter feito algo errado.

“Eu não fiz nada. Não houve quid pro quo”, disse Trump, citando a expressão latina para troca de favores.

Com informações de DW

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*