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fev 15 2015

VAMOS DEBATER “50 TONS DE CINZA”. VOCÊ PREFERE QUAL POSIÇÃO?

RENATO RIELLA

Aos 65 anos, tenho como foco me manter atualizado em tudo. Por isso, fui à primeira sessão do filme 50 Tons de Cinza. Frequentei um cinema lotado praticamente por mulheres.

Atualizado que sou, vi um ótimo filme. Vou fazer análise isenta, talvez surpreendente. Antes de falar da produção cinematográfica de baixo custo, vamos ao conteúdo.

Meu resumo: é a história de um milionário ainda jovem e muito bonito (perfeito, fisicamente). Ele vive sob grave quadro psiquiátrico. É passível de internação ou de prisão, com pena acima de dez anos.

No Brasil, seria massacrado pela Lei Maria da Penha. Nos Estados Unidos, se denunciado, pegaria pena superior à cumprida por Mike Tison, pois tem até uma sala de torturas sexuais, com centenas de aparelhos assustadores, instalados em paredes vermelho-sangue. Seria preso em flagrante, com provas materiais dos crimes.

 

UMA MOÇA LINDINHA, SEM EXPERIÊNCIA SEXUAL

 

O rapaz, absurdamente rico, fechado no seu mundo (impenetrável), é atingido emocionalmente por uma moça recém-formada, de classe média, lindinha, sem nenhuma experiência sexual.

A garota tem apenas um Fusca velho (redundância) e se deslumbra com o imenso poder do carinha. Na maior parte do filme ela vira escrava sexual (com contrato de dominação, exames médicos anteriores, e tudo).

É submetida a sexo selvagem e a torturas. Amarrada, recebe seis chibatadas no bumbum, no melhor estilo do Estado Islâmico. Num momento inicial, o monstrinho fala assim: “Se você fizer sexo comigo vai ficar uma semana sem poder se sentar”. Epa! Epa!

Dito assim, parece horrível, mas no filme as cenas são até bonitas, bastante interessantes. E o sexo, em si, deixa de ser a principal mercadoria do filme. Isto é: a gente não sai com uma sensação de erotismo, nem de filme pornô, apesar de tanto nu.

O primeiro episódio, em cartaz, focaliza com inteligência o relacionamento neurótico, oscilando entre o poder fisicamente dominador do ricaço e o poder de penetração da moça ingênua. Ela quebra a resistência do tarado e abala suas convicções. Quase dobra o indivíduo poderosão!

Dito tudo isso, repito: vale a pena ver o filme. É bonito, tem muitas cenas engraçadas, carece de ótimos diálogo, mas apresenta contrastes chocantes, que mexem com nossa cabeça, diante de uma realidade tão desumana.

 

VOCÊS NÃO ENTENDERAM NADA!

 

Há uma interpretação errada e primária que vem sendo feita. Muitas mulheres acham que a moça do filme está atrás da grana. Coitadas! Não entenderam nada.

O que fascina no milionário maluco e bonitão é o seu poder, cercado de ambientes fantásticos, helicóptero, empregados de alto nível, fama, lindas roupas, etc. Falar em dinheiro é pensar pequeno. O poder é sempre maior. Sempre mais atraente.

Dito tudo isso, vá ver o primeiro episódio de 50 Tons sem preconceito, pois o filme reflete realidades vividas no mundo capitalista onde vivemos. Haverá mais dois episódios…

Tal qual aconteceu no filme o Lobo de Wall Street, esta produção concentra, num único personagem, distorções que vemos em muitos poderosos.

Os “heróis” milionários malucos de 50 Tons e de O Lobo sempre estiveram ao meu lado nesses quase 50 anos de convivência com o poder. Em Brasília, mesmo, há ricaços com distorções sexuais inacreditáveis. E outros usam helicópteros como fator de atração há décadas e décadas. Etc, etc.

Não se iludam: muito ricaço no Brasil teve lindas escravas sexuais, para satisfazer às suas taras, no nível de 50 Tons. E isso muito antes do livro/filme… Foram copiados agora!

Os quadros psiquiátricos graves no nosso país são normais, mas não chegam até a gente com o humor e o romantismo revelados no filme. Na prática, são bem cruéis e deselegantes. Alguns babacas, no Brasil, vão além do filme e queimam mulheres com cigarro. Acredite!

 

EXEMPLO MONSTRUOSO EM BRASÍLIA

 

Para ilustrar pessimamente este texto, conto a história de um esbanjador brasiliense, político cercado de processos de corrupção, muito conhecido de todos nós.

A história é real e ocorreu há menos de 20 anos. Esse ricaço meio monstruoso foi procurado pela reportagem do Correio Braziliense, acusado de engravidar uma garota (17 ou 18 anos), “cantora” sertaneja pobre, que vivia na sua casa.

Sabe a resposta que ele deu ao inocente e romântico repórter? Disse o seguinte – e saiu publicado:

-Sinceramente, não sei dizer se sou o pai, porque eu e o meu filho comemos ela muitas vezes! Hahahahah!

Portanto, o quadro psiquiátrico grave existe aqui em Brasília, pertinho da gente, pertinho de você. Pense nisso quando assistir 50 Tons de Cinza.

E pense também: é mais fácil e mais feliz ser normal. Por que não tentar?

 

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