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mar 25 2014

Economia do governo Dilma tem avaliação de risco internacional

Existe um claro preconceito internacional sobre a condução da economia brasileira. Ontem, uma das principais agências de classificação do mundo, a Standard & Poor’s (S&P), divulgou nota diminuindo a avaliação do Brasil e ampliando a perspectiva de risco do país.

Esta situação crítica já era esperada, pela condução provocativa da diplomacia nos governos petistas. Desde os governos do presidente Lula, se vê o Brasil em clima de enfrentamento em relação aos Estados Unidos e em situação de aliança com economias fechadas, como Cuba e Venezuela – e até Irã.

Além dos Estados Unidos, países como a Alemanha e a Inglaterra têm demonstrado grande rejeição em relação à presidente Dilma, que busca alinhamento com o Terceiro Mundo, sem perspectiva de obter resultados econômicos favoráveis com essa política.

A agência S&P reduziu, de BBB para BBB- (BBB Menos), a nota soberana do Brasil, com perspectiva neutra, o que indica que a classificação não será rebaixada nos próximos meses. A repercussão desse rebaixamento é imediata, com redução de investimentos e ampliação das desconfianças sobre o futuro da economia brasileira.

Para completar, a S&P rebaixou também as notas de duas grandes estatais brasileiras, a Petrobras e a Eletrobras, que vêm sendo envolvidas em amplo noticiário negativo nas últimas semanas.

No seu comunicado, a agência de risco informou que a dívida geral do governo brasileiro – indicador usado em comparações internacionais – é alta e que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) é baixo, devendo ficar em 1,8% em 2014 e 2% em 2015.

Segundo a S&P, o governo dá sinais mistos em relação aos gastos em ano de eleição e existe pouca confiança no ambiente de negócios, o que se reflete em perspectivas mornas para os investimentos do setor privado. Além disso, o endividamento maior da população deve fazer o consumo crescer menos.

Apesar do rebaixamento, o país ainda está na categoria de grau de investimento, que indica baixa probabilidade de calote na dívida pública. Vale lembrar que, desde o ano passado, o Brasil ostenta a firme posição de país que tem amplas reservas externas, acima de US$ 376 bilhões, o que dá garantias de cumprimentos dos seus compromissos financeiros internacionais.

Para o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), o rebaixamento da nota de crédito do Brasil “é fruto da política adotada pelo governo nos últimos anos”.

Segundo ele, o governo não está cumprindo as metas de superávit primário desde 2009. Além disso, afrouxou a política fiscal, o que aumentou o risco do país. Ao mesmo tempo, a taxa de crescimento da economia não retomou o ritmo esperado.

MINISTÉRIO DA FAZENDA
REAGE COM FIRMEZA

Em nota oficial, o Ministério da Fazenda afirmou que a redução da nota é contraditória com a solidez e os fundamentos do país.

No texto, o ministério reafirmou o compromisso com a meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e com o equilíbrio fiscal nos próximos anos. Além disso, a pasta informou que o governo continuará a trabalhar para dar prioridade ao investimento e promover o crescimento sustentável no longo prazo.

Para o Ministério da Fazenda, a avaliação sobre a situação fiscal brasileira está equivocada por não levar em conta que o país tem gerado um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos e está reduzindo o endividamento público.

“Em 2013, cabe salientar, fizemos um superávit primário de 1,9% do PIB, suficiente para reduzir o endividamento público, tanto bruto (de 58,8% do PIB para 57,2% do PIB) quanto líquido (de 35,3% do PIB para 33,8% do PIB)”, destacou a pasta.

Em relação ao crescimento econômico, uma das causas apontadas pela agência para o corte da nota de classificação, o ministério ressaltou que o país cresceu 17,8% desde o início da crise econômica internacional, em 2008, e acumula uma das maiores taxas de crescimento no período entre os países do G20 (grupo das 20 maiores economias do planeta).

“No ano passado, o país cresceu 2,3%, desempenho superior à maioria dos países deste grupo”, destacou.
Sobre a trajetória do investimento no país, o ministério informou que o programa de concessões iniciado no ano passado mobilizará mais de US$ 400 bilhões nos próximos anos e lembrou que o investimento cresceu 6,3% no ano passado, a segunda maior expansão entre os países do G20.

Em relação aos investimentos estrangeiros diretos, que geram emprego no país, o comunicado ressaltou que o país tem estado entre os cinco maiores destinos mundiais, com ingressos de US$ 65,8 bilhões nos 12 meses encerrados em fevereiro deste ano.

O ministério também destacou que o país está preparado para eventuais ataques especulativos por causa do volume de reservas internacionais, atualmente em torno de US$ 378 bilhões.

“A economia brasileira tem baixa vulnerabilidade externa, pois possui o quinto maior volume de reservas internacionais no G20, o que corresponde a dez vezes a dívida externa de curto prazo, por sua vez, a menor do grupo (em proporção da dívida externa total)”, informou.

A nota oficial ressaltou ainda que, mesmo com a redução da nota, a classificação de grau de investimento do Brasil está mantida, com baixa probabilidade de o país dar calote na dívida pública.

O próprio texto da Standard & Poor’s, informou o ministério, destacou que o país tem sólida estrutura institucional, balanços fiscais e externos fortes e que, embora seja elevada, a dívida pública tem composição sólida, na maior parte atrelada a parcelas fixas ou à inflação.

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