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jun 28 2013

ANOTE: PASSE-LIVRE É MALUQUICE!

RENATO RIELLA 

Tenho escrito praticamente sozinho contra a proposta de passe-livre, que é uma aberração. Por isso volto ao assunto. Sob pressão das ruas, tomaremos decisões erradas, das quais vamos nos arrepender dentro de algum tempo.

O passe-livre é uma aberração. Prejudica o sistema de transporte coletivo e gera corrupção, beneficiando gente que não precisa desse benefício.

Nenhum serviço público deve ser gratuito, pois isso banaliza o atendimento. Há quem argumente que a coleta de lixo é terceirizada  e é paga pelo Estado. Errado! Sabemos que, junto com o IPTU, vem uma taxa relativa a esse serviço, paga por nós.

Repito que o passe-livre vai incentivar a criação de empresas diversas, que venderão serviços ou comércios subsidiados por nós, os contribuintes, que vamos financiar o sistema de ônibus.

Pregadores, vendedores de balinhas e pedintes vão circular ainda mais livremente nos ônibus e os motoristas não terão autoridade para impedir essas ”invasões”, pois os veículos serão espaço tão livre de acesso quanto uma igreja, por exemplo (mais, pois há padres bastante rigorosos).

 

HAVERÁ CORRUPÇÃO E

FRAUDE NAS PLANILHAS

Há muitos outros argumentos. O ônibus gratuito gera corrupção profunda no sistema do Estado. O GDF eliminou o subsídio às empresas de ônibus em 1992 por causa das fraudes apresentadas nas planilhas, com viagens e passageiros fantasmas incluídos, entre outras aberrações.

Se houver passe-livre, dentro de algum tempo o GDF  e outros governos estarão pagando por viagens não realizadas.

Renato Ely, um dos maiores especialistas em transporte público do Brasil, escreveu no Blog do Riella sobre este assunto, dizendo: “Trabalho por mais de 35 anos no setor de transporte urbano. Não existe transporte a custo zero no mundo. Alguém paga. O subsídio pleno traria todos os inconvenientes já mostrados e, além disso, inibiria viagens a pé e por outros modos. Não tem o menor sentido. O custo seria brutal”.

Ele explica que há a necessidade, sim, de aumentar o número de passageiros no sistema, reduzindo o custo unitário. Como? Através de uma política efetiva de desestímulo ao uso do automóvel.

“Não há sentido subsidiar automóveis, com redução de imposto. Não há sentido uma cidade do tamanho de Brasília não cobrar estacionamento do automóvel. A implantação de uma política séria de estacionamento faria com que mais pessoas utilizassem o transporte público, aliviando o sistema viário, que hoje não mais suporta o volume de tráfego. Mas tem que agir. Não dá mais para esperar”, completa Renato Ely.

 

CARTEIRA DE ESTUDANTE

É FONTE DE FALSIFICAÇÃO

Enquanto isso, antecipando-se à discussão maior, o Congresso está aprovando o passe-livre para estudantes, sem que tenha sido feito estudo de viabilidade econômica nem nada.

Nessa questão do Congresso, há outro agravante: no Brasil, os cinemas vivem reclamando de prejuízo pela ampla falsificação de carteiras de estudantes. Quem vai controlar isso? E quem vai controlar, também, a freqüência dos alunos às aulas, como está sendo previsto no projeto do Senado?

O momento político está levando a conclusões precipitadas e que terão de ser revistas depois – não se sabe como.

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