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out 26 2013

GUERRILHA URBANA EM FORMA DE TURBA ABALA O BRASIL

 RENATO RIELLA

Escrevi corajosamente, no dia 19 de outubro, que os policiais militares são as grandes vítimas da conturbação social vivida no Brasil. E pedi:

“Devemos urgentemente abrir discussão sobre a instituição Polícia Militar, fazendo um registro justo e necessário. Em centenas de gravíssimas manifestações, desde junho deste ano, não morreu ninguém diretamente atingido por repressão policial, em nenhuma cidade brasileira”.

Quase que a primeira morte veio da própria PM, atingindo o coronel Reynaldo Simões Rossi, comandante do batalhão que tentava conter Black Blocks em São Paulo ontem à noite.

Numa postura inusitada, ele desceu sozinho, a pé, em direção a um bando de mascarados, tentando convencê-los a não iniciar uma sessão noturna de depredação. Foi espancado com placa de ferro, quebrou a clavícula, tomou pancada na cabeça e só não morreu porque um soldado, sem farda, intimidou os agressores e salvou o comandante.

O coronel Reynaldo, antes de ser levado ao hospital, ainda deu ordem ao seu subcomandante para que não deixasse a tropa perder a cabeça. E, assim, ainda não morreu ninguém em confronto nas ruas brasileiras – mas está muito perto.  

O agressor preso é um comerciário de 24 anos, chamado Paulo Henrique, que agora deverá ser condenado por agressão e tentativa de assassinato contra o oficial da PM. Está ferrado!

Vale ressaltar, no entanto, que Paulo Henrique e todos os outros não são bandidos, nem integram ainda grupos organizados de guerrilha – e nem sabem direito o que estão fazendo. São meros “comerciários”.

Esses grupos chamados de Black Blocs são mais perigosos porque assemelham-se a turbas, sem orientação, nem rumo, nem mensagem. Muitas vezes é um cara que está passando, bota uma camiseta na cara e vira Black Bloc.

Na década de 80, quando houve o célebre badernaço na Rodoviária, fiz profunda pesquisa tentando identificar “infiltrados” no movimento. Na época, junto com sindicalistas como Chico Vigilante, Maninha, Armando Rolemberg, entre outros, analisamos centenas de fotos.

Os responsáveis pela queima de carros de polícia e depredações gerais eram contínuos, guardadores de carro, desempregados em geral, gente distante de qualquer movimento organizado.

 

POVO ESTÁ SENDO PROVOCADO

POR ABUSOS DE TODA ORDEM

A presidente Dilma Rousseff deve abrir os olhos para a insatisfação popular generalizada nos grandes centros, que parece incontrolável e crescente.

Milhares de pessoas que sofrem no péssimo transporte coletivo de São Paulo tomaram conhecimento do roubo de bilhão feito através da Siemens no Metrô da grande cidade.

Milhões de brasileiros ficaram sabendo que a ministra Ideli Salvatti usou cinco vezes um helicóptero da Samu, no interior de Santa Catarina, para fazer a sua campanha eleitoral antecipada.

Outros milhões de brasileiros viram o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, levando o cachorrinho para passear na praia no helicóptero do estado.

E o presidente do Senado, Renan Calheiros? Este está sem comida na residência oficial porque sua assessoria ia fazer uma licitação superfaturada.

 Tudo isso além de saber-se que, no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União, diversos ministros ganham acima do teto salarial previsto na Constituição. Há gente ganhando R$ 50 mil por mês.

 O nível de informação do povo é elevado. A Rede Globo, tão atacada pelos manifestantes, ainda é a principal fonte de informação desses desmandos oficiais.

 A presidente Dilma, se não liderar um novo pacto com a sociedade, vai perder o controle do país. Tudo isso agravado pela perspectiva de ampliação dos confrontos sangrentos depois desse criminoso atentado contra um comandante repleto de boas intenções.

Vai piorar. Vai piorar muito!

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